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Uma confissão deste que vos escreve: quando era miúdo, não gostava de favas. Hoje, sinto que perdi tempo precioso, que podia ter vivido mais, que podia ser ainda mais feliz. Mas é o que é, resta-me recuperar o tempo perdido cada vez que chega a Primavera. É mais uma oportunidade de comer favas e não desperdiçar a riqueza que a gramínea divisiva apresenta, lutar contra os preconceitos que a afrontam.
É claro que os olhos comem. Façam o teste: atirem-se às fotos dos pratos servidos no Fava Tonka (1 Sol Guia Repsol) ou então mostrem-nas a quem nunca lhes passou a vista em cima. Ainda sem saber nenhum detalhe, na posse de zero informação, o instinto é fazer uma reserva. Como aquelas grandes belezas, as naturais ou as construídas: queremos vê-las ao vivo. Com a vantagem de que estas podemos comê-las.
O Fava Tonka é uma joia da cozinha vegetariana, é um monumento a tal arte. E acresce que, quando a Primavera nos oferece as favas como se fosse um rei mago da natureza: o Fava Tonka trabalha-as como poucos. Estejam atentos à carta, que muda com a estação e acolhe as favas com carinho. E se não estiver na carta, caso os fornecedores momentaneamente não as tenham em quantidade, perguntem se não há um carinho especial por lá guardado. Não seria a primeira vez e não será a última.
Fava Tonka: Rua de Santa Catarina 100, 4450-635, Leça da Palmeira. Telefone: 915 343 494. Quinta, sexta e segunda, das 19h às 23; sábado e domingo, das 12h30 às 15h e das 19h30 às 23h
Antes de ser restaurante por direito próprio era um tasca e isto vai para mais de cem anos. É coisa tradicional no Porto, de uma riqueza difícil de superar. E neste caso tem muita graça porque passa-se o mesmo com as favas: é coisa cuja preciosidade não se igual com facilidade. Dito isto, avancemos ainda mais: terça-feira no Solar Moinho de Vento é dia de favada à moda da avó Ermelinda.
Ora a palavra “favada” só por si já quase mata a fome, mas esta em particular tem arte extra na hora de satisfazer. Para a mesa vem a dita fava com a costelinha, a morcela e segredos guisados que não importa saber, só importa saborear. Isto pode parecer uma tentativa pobre de procurar poesia na gastronomia, mas ide lá provar a favada e depois digam que o tacho inteiro não rima com a vida.
Solar Moinho de Vento: Rua Sá de Noronha 81, 4050-527 Porto. Telefone: 222 051 158. De segunda a sábado, das 12h às 22h.
Procurar razões para visitar o Ó Balcão (2 Sóis no Guia Repsol) é como ter de encontrar desculpas para comer favas: nenhuma das afirmações faz sentido, nenhuma das situações é verosímil. O que acontece no Ó Balcão é o resultado da exigência e da manufactura requintada de Rodrigo Castelo, chef de entrega máxima e gosto maior (é possível? claro que sim).
Quanto às favas, são das melhores coisas que alguma vez a natureza nos deu, desafiantes mas recompensadoras, características que lhes dão uma aura ainda mais especial. Ora em Santarém, quando Rodrigo Castelo decide que está na hora de fazer regressar à carta o afamado puré de favas, é como se o sol voltasse a despontar depois de uma temporal bravo e triste. É o fim de uma corrida ao ouro, com maior das recompensas mesmo à nossa frente. Comprovai por vós próprios. Não vos arrependereis jamais.
Ó Balcão: Rua Pedro de Santarém 73, 2000-223 Santarém. Telefone: 918 252 808. De terça a sábado, das 12h às 15h e das 19h às 22h.
A ideia é que seja possível viver isto ali a meio da semana e, pensando bem, é o que faz sentido. Um tacho de favas exige compromisso de atividade, reclama por movimento, é uma garantia de vida e energia, daí que o dia oficial de trabalho seja mais propício à prática desta modalidade.
Acontece que o Pomar de Alvalade (Restaurante Guia Repsol) é um ponto de encontro de excelência deste tipo de personalidade: o proletário que faz questão de almoçar à portuguesa, que é como quem diz “bem e com tempo”, melhor ainda se for com companhia.
Não que seja necessário ter alguém à sua frente para degustar as favas com o entrecosto e os enchidos que lhe dão alma e carisma. Mas se assim for, é de aproveitar: haverá algo mais rico do que partilhar um dos momentos altos da existência com alguém que consideramos? Única dica: ligue para averiguar qual o melhor dia (ainda que qualquer alternativa tenha sucesso garantido à partida).
Pomar de Alvalade: Rua Marquesa de Alorna 21C, 1700-300 Lisboa. Telefone: 218 497 460. De segunda a sábado, das 09h às 22h.
O que é que nunca há no Cardoso do Estrela D’Ouro? Lugar. Não é fácil porque a casa é pequena e a vontade é sempre muita. A questão é que a tal vontade é plenamente justificada. O bitoque devia ser segredo, para não ser motivo de tamanhas multidões à porta. Os rissois fazem-nos questionar porque é que não fazemos deles a nossa refeição diária.
Mas as quartas-feiras, quando chega a época das favas, são igualmente especiais. Há dias para o cozido, dias para a cabidela, dias para a feijoada. Pois bem, o Cardoso, instituição da mui lisboeta Graça, cuja existência garante a ordem no universo e no nosso circuito digestivo, serve favas à quarta-feira como se a passagem para a quinta disso dependesse. É este tipo de entrega apaixonada a uma causa que faz do Cardoso um sítio tão especial. Interessante é também notar como, para esta gente, quase todos os pratos são causas. Abeçoados sejam.
O Cardoso do Estrela D’Ouro: Rua da Graça 22, 1170-270 Lisboa. Telefone: 218 865 230. De segunda a sexta, das 12h às 15h e das 18h30 às 21h; ao sábado só serve almoços; fecha ao domingo.
À partida, nada nesta história seria provável. Por isso é uma história tão boa e tão saborosa. Primeiro, esta coisa de haver um holandês dos caracóis em Portimão não lembra a ninguém. Só lembrou, de facto, à vontade de Willem Hendrik, que nos idos de 1980 fez do Algarve o seu destino, assumindo o papel de fura vidas até abrir o seu próprio estabelecimento, que tem no famoso gastrópode a principal iguaria.
Mas a improbabilidade continua porque Hendrik também aposta na cozinha tradicional portuguesa. Daí que não seja raro, assim que a época o permite, encontrar a frase “favas guisadas” no menu. E que ninguém se surpreenda quando as provar e as considerar muito mais do que dignas. Aliás — e por falar em probabilidades — o mais provável é que acabe por recomendá-las a quem ainda não as tenha provado. Como nós estamos aqui a fazer, calha bem.
O Holandês dos Caracóis: Rua Engenheiro Duarte Pacheco 5, 8500-667 Portimão. Telefone: 282 414 166. De terça a domingo, das 12h30 às 23h.
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