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Vila-museu, povoação cristalizada no tempo, empoleirada em cima de um monte, sentinela do Guadiana contra as invasões castelhanas, Monsaraz tem um encanto ímpar na paisagem alentejana. Vista de longe, ergue-se na sua colina elegante, recortando o horizonte. Quando se visita, muralhas adentro, encontram-se ruas labirínticas e pedras de xisto, paredes brancas e, a toda a volta, para lá das muralhas do castelo, uma vista soberba.
Voltados para oriente, na direção de Espanha, podemos contemplar o grande lago de Alqueva preenchendo os vales entre os pequenos montes que compõem a região. Vistas de cima, as pequenas lagoas parecem poças de água. A arquitetura da vila mistura a herança medieval com aquele alinhamento de casas que, à falta de melhor definição, se pode classificar como “tipicamente alentejano”. Há traços de épocas diversas, dos arcos de janela góticos aos frontões e torres barrocos, mas a miscelânea é tão harmoniosa que se torna praticamente indiscernível.
A vila de Monsaraz não precisa de outros adornos para merecer visita. A sua beleza é motivo mais do que suficiente para uma paragem demorada. Para quem pretende permanecer um pouco mais, ou fazer de Monsaraz destino de escapadinha, deixamos uma proposta de roteiro que o leve para lá do que é mais óbvio e evidente.
Terra do barro, situada no caminho entre Reguengos e Monsaraz, ali se encontram, com grande abundância, elementos típicos da cerâmica alentejana - são muitos os ateliers e fabricantes. Dos tijolos às travessas, das lajes de chão até aos jarros e às taças, com perfil mais funcional ou mais decorativo, a aldeia atravessada estrada municipal 514 é fértil na oferta.
Escolhemos, de entre as várias possibilidades, a olaria O Patalim, onde se encontram peças para todos os gostos, mantendo sempre a traça distintitiva do Alentejo, bem como a paleta de cores que imediatamente identificamos com a região. Aqui, tudo é feito à mão, desde a moldagem das peças até à pintura e ao envernizamento. O caráter artesanal da produção mantém-se intacto, ainda que a quantidade de peças produzidas impressione, bem como o ritmo a que a equipa de artesãos e artesãs as vão concebendo e finalizando.
Nesta olaria, existe ainda uma secção onde o visitante pode encontrar objetos com pequenos defeitos, percalços de fabrico que são suficientemente relevantes para as retirar das prateleiras e para a impedir a sua expedição para os mercados (internos e externos - a exportação é um dos fortes desta olaria), mas discretos o bastante para permitir que sejam vendidas a preços reduzidos a quem não se importa com um traço levemente defeituoso ou um grão de areia no verniz.
Olaria O Patalim. São Pedro do Corval. 967 573 883. Aberto de segunda a sábado, das 9h00 às 17h30; aos domingos, das 10h00 às 12h00.
Para quem não acompanha a trend pré-modernista dos artistas paleolíticos, pode parecer só um conjunto de pedras à roda de uma outra pedra maior. E é disso que se trata, sim. Mas a instalação tem um significado, cuja missão de descobrir preferimos deixar para o leitor e viajante.
O cromeleque do Xerez (ou do Xarez) remete para as estevas - “saris” ou “sharish”, em árabe -, que inundam a paisagem e que estarão origem do nome de Monsaraz, “monte de xarez/xaraz”, o monte das estevas. O edificado pré-histórico fica aos pés de Monsaraz, junto ao Convento da Orada, a caminho da praia fluvial. E vale a pena uma visita, ainda que breve, para nos pôr a pensar sobre há quanto o tempo anda o Homem por estas paragens.
Fica mesmo no coração de Monsaraz, ao lado do Pelourinho e da Igreja de Nossa Senhora da Lagoa, um dos restaurantes mais surpreendentes da região. Cabem nele muitos outros adjetivos, e todos eles são positivos e elogiosos, porém surpreendente é, porventura, aquele que melhor designa o primeiro impacto. Ao entrarmos, deparamos com arte sacra, relicários, pormenores de madeira entalhada, pinturas a óleo com vários séculos de idade.
Nos tectos antiquíssimos, há lustres e candeeiros modernos; as pedras dos degraus das escadas estão gastos ao ponto de terem de ser revestidos a vidro, para deixarem de ser tortos - a solução é ótima, pois mantém à vista a escadaria as pedras originais; toda a casa merece este tipo de cuidados: o conforto é garantido, mas procura-se sempre solução para preservar o que já lá estava.
Tudo no Sahida é recomendável e merece ser descoberto. Os terraços com vista, os recantos com floreiras, as gárgulas que o decoram. E, claro, a ementa, que é alentejana sem ser limitada, das sopas de cação aos choquinhos ao alhinho.
O proprietário explica que aquela era a casa de férias dele e que, durante a pandemia, decidiu mudar-se definitivamente para Monsaraz, transformando a casa num restaurante. Chamou-lhe Sahida porque, diz, aquele era o único sítio para onde se pode sair um bocadinho em Monsaraz quando tudo fecha, e aquela era a grafia antiga da nossa atual “saída”. Alguém lhe disse, acrescenta, que “sahida” significa “acolhimento” em árabe, e que achou piada por isso. Incapazes de confirmar a designação árabe, descobrimos, no entanto, que “sahida” significa “testemunho” em turco. Não sendo igual, assenta-lhe como uma luva, já que o Sahida é um testemunho de outras eras e de muitas histórias.
Sahida. R. José Fernandes Caeiro 5, Monsaraz. 968 808 075. De quarta-feira a domingo, das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 22h00.
A proximidade às aguas do grande lago de Alqueva é mais um dos trunfos da zona. Ir à praia é bastante fácil, e até existe uma em Monsaraz, a pouco mais de um minuto de carro desde as muralhas. Mas há outras opções, como a praia fluvial das Azenhas d’El Rei, a meia-hora de distância, em direção ao Alandroal - que é, já agora, vila que também merece visita.
As Azenhas d’El Rei têm um areal mais vasto e, com certeza, não perdem para a praia de Monsaraz no que toca a beleza natural, além de que um passeio de carro pelos campos com os vidros abertos sabe bem a seguir ao almoço, o que nos leva a optar por esta praia e não pela outra. Em todo o caso, ambas dispõem de várias atividades, além, naturalmente, de tomar banhos de sol e de água doce: há os cruzeiros pelo Guadiana, há a canoagem e há a pesca desportiva. Estas serão as modalidade mais populares. Para quem prefere atividades menos radicais, há sempre a opção do pires de caracóis mais imperial na esplanada à beira do areal. No fim, antes de partir, mais um mergulho para refrescar.
Fora da vila de Monsaraz, mas no sopé do mesmo monte, a um minuto da entrada nas muralhas, aí fica o hotel que, no início, em 1991, era somente um alojamento para caçadores. A beleza do sítio fez com que a simplicidade inicial fosse ganhando outras dimensões, até se tornar, enfim, hotel. Pelo caminho, houve percalços - a pandemia e seus confinamentos levaram ao encerramento -, mas em junho de 2025 a Horta da Moura renasceu voltou a abrir portas.
Rodeada de vegateção e praticamente invisível para quem passa ao largo, na estrada, a Horta da Moura é uma espécie de mini-aldeia alentejana, com suítes e quartos independentes, fiéis à estética da região, que inclui as grandes e características chaminés e lume de chão, entre outros elementos que fazem de cada recanto um refúgio de bom-gosto e conforto.
Dentro da propriedade, que é vasta - são nove hectares, no total -, há piscina, sala de jogos - snooker, xadrez, cartas -, bar, esplanada e restaurante, e podemos ainda encontrar um recinto com oliveiras milenares, ovelhas a pastar livremente ou uma nora de tirar água, o que convida a passeios descontraídos dentro da propriedade. A Horta da Moura convida a desfrutar das tardes longas e indolentes do Alentejo. Com o seu sossego absoluto - não há ruído de máquinas, não há televisões -, é o sítio ideal para relaxar e desligar do mundo.
A rematar tudo isto, aos sábados, o hotel serve um brunch alentejano com alma de almoço — das 12h às 15h, mas com potencial para ocupar a cabeça e o corpo dos comensais o dia todo. Promete-se um buffet que vai dos pezinhos de coentrada e dos ovos com farinheira à sopa de panela e borrego assada. À sobremesa, mais clássicos, como a sericaia.
Para finalizar, e para não termos de nos mexer mais, sugerimos um jantar no Sítio da Moura, o restaurante dentro da Horta da Moura. A ementa não é extensa, mas nela podemos encontrar algumas preciosidades, como as sopas de espinafres com batata e queijo de cabra fresco, ou a posta de carne mertolenga.
Depois disso, o melhor é aproveitar os cadeirões dos terraços e contemplar o céu estrelado, em silêncio.
Hotel Horta da Moura. Estrada de Monsaraz, km 4. 962 287 093
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