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Para os fins de semana primaveris, em que andar a pé pelo centro de uma cidade alentejana nos renova, ou mesmo para uma tarde tórrida de verão, em que procuramos lugares onde restaurar o corpo: Beja é uma boa opção. Reunimos sete lugares para um dia em cheio, sempre a andar, sem pegar no carro. Pode contar com um acordar num dos mais bonitos hotéis da zona.
Acordar e ter ao dispor uma vista abundante: a norte, a Serra do Mendro, para oriente a vastidão da planície, até aos montes que ficam já do lado de Espanha – este é um dos sinais do privilégio que é despertar na Casa Amarela, em Beja, junto ao que resta das muralhas que outrora fortificaram a cidade.
O boutique hotel inaugurado recentemente numa antiga e enorme casa de família reabilitada faz do design e da arquitetura de interiores alguns dos seus grandes trunfos. Mas há tanto para explorar e desfrutar na Casa Amarela que será necessário visitá-la com tempo para descobrir o que tem para oferecer – e que inclui piscina no pátio, vários terraços e bar de cocktails. Todos eles de extraordinário bom-gosto, diga-se.
Contudo, por agora, a Casa servirá de ponto de partida (e de chegada) para um tour pelo centro da capital do Baixo Alentejo que tem uma regra: só se pode andar a pé.
Casa Amarela. Rua Tenente Valadim Nº7, 7800 Beja
+351 961 139 204
A primeira paragem faz-se na Confeitaria Luiz da Rocha. Recentemente distinguido com um Solete no Guia Repsol, Luiz da Rocha é um café, um ponto de encontro e um lugar emblemático de Beja.
Os célebres porcos de doce, um dos ex-líbris da doçaria conventual bejense, ganharam fama graças a Luiz da Rocha, o fundador da casa, que popularizou a iguaria e, de caminho, há mais de 130 anos, fundou um dos estabelecimentos mais icónicos da cidade.
É aqui que tomamos o pequeno-almoço, numa mesa de madeira encerada e com tampo de mármore. Tudo neste sítio tem história, até a cadeira onde nos sentamos. Vale a pena entrar, nem que seja só para, à boa maneira portuguesa, pedir um café e um pastel de nata.
Luiz da Rocha. R. Cap. João Francisco de Sousa 63, 7800-475 Beja
Aberto todos os dias, das 8h00 às 23h00
Enquanto passeamos pela baixa de Beja, descobrimos um lugar que é realmente especial. Chama-se Kilim e é descrita como “loja de artesanato exótico”. Compreende-se: pedras de energias, carteira em couro, brincos, anéis, colares e outros adereços, sacolas, enfim, uma infinidade de objectos e artefactos existem neste espaço com um leve aroma a incenso.
Podia ser só mais uma loja com este tipo de artigos, mas a Kilim tem qualquer coisa de único que não fácil identificar. É preciso ir lá, entrar e explorar esta espécie de abrigo de alquimista. Mesmo que não se compre nada, e quer se acredite ou não em energias, a verdade é que há aqui qualquer coisa de realmente balsâmico. Nem que seja pelos dois dedos de conversa com o proprietário.
Kilim. R. dos Açoutados 28, 7800-018 Beja
Aberto de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 13h00 e das 15h00 às 19h00; aos sábados, das 9h00 às 13h00
Haverá muitas razões para alguém procurar o Pulo do Lobo, que é restaurante, cervejaria e marisqueira, que tem esplanada serena, estacionamento à porta e uma boa garrafeira. As entradas, porém, seriam motivo mais que suficiente: a inigualável maionese de camarão, o presunto fatiado ou a salada de polvo com alho e coentro fazem quase uma refeição.
Os pratos de carne são bons, os de peixe fresco são ótimos e os de marisco são uma raridade num interior alentejano onde quem quer mariscar não consegue fazê-lo na maior parte das vezes.
Mas aqui é diferente, há amêijoas, berbigão e conquilhas, gamba da costa, lagosta e a inevitável sapateira. Tudo bem confeccionado, tudo no ponto e com atendimento atento e cuidado como um relógio – sempre que um copo de imperial se esvazia, logo outro nasce no seu lugar sem ser preciso levantar um dedo, sequer (é preciso cuidado e, por vezes, vale a pena alertar para a necessidade de abrandar).
O melhor de tudo é que, começando a primavera, dispõe de uma esplanada sossegada e soalheira – plácida, como pertence a quem se passeia.
Pulo do Lobo. Praceta da Rainha Dona Leonor, 7800-509 Beja
Aberto, de segunda-feira a sábado, entre as 12h00 e as 23h00. Encerra aos domingos.
Muito mais do que uma cafetaria, A Pracinha é uma espécie de mercearia com sala de estar e biblioteca, que se estende até às arcadas da Praça da República, sítio mais central de Beja. Produtos e artesanato locais são alguns dos pontos fortes deste café feito para conviver e conversar, com calma, com tempo e com curiosidade.
A Pracinha é o lugar ideal para se aproveitar a tarde em boa companhia ou até sozinho, a apreciar a música e as leituras propostas e disponíveis. E é também um estabelecimento, de certa forma, à imagem de Beja: um pequeno oásis, com muita personalidade e outro tanto de pinta.
Pracinha. Praça da República, 9, Beja 7800-427 Portugal
Encerra aos domingos
A isto se chama optar pelo clássico. Aninhado junto às muralhas do Castelo de Beja, este histórico bejense faz das carnes na brasa a sua especialidade. O porco preto, claro, é rei na grelha da casa, mas os cortes de novilho não lhe ficam atrás.
Além destes, a carta apresenta ainda algumas especialidades de inspiração sul-americana. Os acompanhamentos incluem quase sempre a batata frita às rodelas e as migas a preceito, havendo escolha entre as de alho ou as de espargos, quando é época dele.
A curadoria dos vinhos – com natural predominância do Alentejo na garrafeira – é boa e o atendimento é irrepreensível: atenção, simpatia e bom aconselhamento são parte da identidade da casa.
Dom Dinis. R. Dom Dinis 11, 7800-305 Beja
Aberto das 12h15 às 15h00 e das 19h15 às 22h00.
Encerra à quarta-feira.
Lugar no mundo onde se corre o risco assinalável de querer voltar todos os dias, tem o defeito de abrir só de quarta-feira a domingo. De resto, O Aperitivo tem tudo o que se pode desejar para que se torne um daqueles sítios que são os nossos favoritos: história, mobília e azulejos dos primórdios, localização privilegiada, sol ao fim da tarde, boa onda pela noite dentro, imperiais irrepreensíveis, música de bom-gosto e umas gildas a evocar o melhor do País Basco no nosso coração gastronómico.
Fora tudo isso, é um sítio de convívio aberto e sem maneiras, no melhor dos sentidos: é chegar e falar com quem está, independentemente de as conhecermos ou não. É assim que acontece nos sítios de culto e este é, sem dúvida, um desses. Ir a Beja e passar-lhe ao largo não é apenas um erro, é um desperdício. É o fecho ideal para um dia na cidade.
Aperitivo. R. Cap. João Francisco de Sousa 68, 7800-475 Beja
Aberto de quarta a domingo, das 17h00 às 02h00.