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No Páteo Bagatela, no meio dos restaurantes de almoço ou jantares de grupo, sejam massas ou churrascos, está agora um restaurante cheio de dramatismo com pouca influência deste ambiente exterior. Entramos num fine dining de luz baixa com inauguração bastante antecipada: Henrique Sá Pessoa deixou a sociedade com o grupo Plateform e o restaurante Alma, com dois Sóis Guia Repsol, no final de 2025 para abrir um restaurante em nome próprio, sem investidores e com muito mais ambições.
De manga curta e avental, entre a cozinha, telefonemas e assuntos com a equipa administrativa, que também trabalha no restaurante durante o dia, Henrique Sá Pessoa exibe o A de Alma tatuado no braço. Não é a tatuagem de uma relação acabada que se quer esquecer. Pelo contrário: “Faz mais sentido do que nunca”.
Depois de 16 anos de Alma (primeiro em Santos, depois no Chiado com o conhecido grupo de restauração), o finado restaurante alimenta este, aberto em fevereiro de 2026. “O Alma foi determinante para ter estas pessoas comigo. Se elas me tivessem dito não, não tinha aberto o Henrique Sá Pessoa”, diz.
De paredes azuis escuras, candeeiros que parecem obras de arte e uma parte da biblioteca e coleção de prémios do chef numa das paredes, este é “um restaurante mais pessoal”, onde “a minha intervenção vai muito além da cozinha” e o “espaço está em movimento”.
“Não queremos que seja estático, é como quando compramos uma casa: é preciso viver a casa e ir percebendo o que falta — um tapete, uma melhor acústica”, exemplifica. Apesar de querer refletir a sua visão sobre o que é a experiência de um fine dining, este não é um restaurante egocêntrico, garante.
Tanto na sala como na cozinha as decisões são participadas, um verdadeiro trabalho de equipa, diz, e isso ajuda a explicar o processo de encerramento do Alma. “A decisão de sair do Alma e vir para aqui foi em conjunto com as pessoas que trabalham comigo”, conta o chef.
Depois de conversar com a equipa mais próxima e de os convidar a fazer parte de um projeto que ultrapassasse as frustrações que sentia no Alma, conseguiu a confiança de 24 trabalhadores que o acompanharam até aqui — “eu acredito neles e eles acreditam na minha visão”, resume.
“Ali nunca poderíamos ser um três Sóis. Se calhar era uma coisa da nossa cabeça, mas havia certas coisas que não conseguíamos fazer por falta de espaço — quer fosse finalizações de pratos, preparações na cozinha ou ter uma garrafeira de referência e facilidade de estacionamento. Foi fazer uma atualização para nos podermos manter uma referência”, explica. “Merecíamos um espaço que nos desse mais liberdade — sendo que é um brinquedo caro, num grupo temos outra segurança”.
Sem um investidor, Henrique Sá Pessoa está por sua conta. Com o risco que isso implica, ganha em autonomia, em decisões mais rápidas e orientadas pela ambição da equipa. No entanto, isto não quer dizer uma força tresloucada que se liberta de amarras: o início faz-se “da forma mais suave possível”, “a cozinha do Henrique Sá Pessoa vai começar a ver-se talvez daqui a seis meses. Se não temos aquelas limitações, vamos ver onde é que conseguimos chegar”, diz.
O restaurante do Páteo Bagatela abre, por isso, com menus muito semelhantes aos do Alma — incluindo um menu de degustação com o mesmo nome, Costa a Costa (220€). O menu mais curto, que antes se chamava Alma, é agora Encontros (140€), e mantém-se um menu de Clássicos (220€), um disco de best of, onde estão os grandes hits — o prato de foie gras (com maçã, granola, beterraba e café), o de bacalhau com alho negro ou o de presa alentejana, uma releitura da mistura de terra e mar da carne de porco à alentejana.
Estes pratos estão um pouco por todos os menus porque a necessidade da inauguração pedia uma carta em que a equipa estivesse confiante. Além disso, é uma resposta de conforto a quem procura este restaurante para conhecer os pratos que já viu em fotos ou de que ouviu falar — “é como ir a um concerto e a banda só tocar o próximo disco, não tocar as músicas que conheces, seria uma desilusão”, compara o chef.
Para os seguidores de Henrique Sá Pessoa haverá sempre uma ou outra surpresa — como a batata da presa alentejana que agora se transformou num mochi recheado de molho de carne, ou o prato de cenoura e bulgur que agora ganhou a forma de uma tartelete.
O espaço amplo é outro dos traços capazes de transformar a experiência deste fine dining. “O espaço do Chiado criava uma certa formalidade que este não tem e o facto de termos uma sala única torna o serviço mais fluido; a vista para a cozinha também traz uma certa informalidade”, avalia Henrique Sá Pessoa.
No final de Março, o espaço do restaurante estará finalmente completo com uma sala privada (comunicante com a principal) para doze pessoas, equipada com uma cozinha de finalização para replicar, naquele pequeno espaço, a experiência do restaurante com cozinha aberta — ou mesmo de um chef em casa.
Na sala principal, obras de Mário Belém e de Vhils vão juntar-se às intervenções de Kruella D’Enfer (nas casas de banho), conta-nos Samanta Soares, mulher de Henrique Sá Pessoa e responsável pela parte administrativa do restaurante. “O Henrique gostava de ter até, em cada mesa, uma lembrança de cada viagem que formos fazendo”, conta-nos ainda sem certeza da viabilidade da ideia. É viver numa casa em evolução.
Henrique Sá Pessoa. Páteo Bagatela, Tv. da Légua da Póvoa 11 Corpo 3 Bloco B, Loja L, Lisboa. Terça a sábado das 18h30 às 00h; de quinta a sábado das 12h00 às 15h30 e das 18h30 às 00h.
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