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Miguel Garcia, proprietário do Café de São Bento, usa a palavra “mística” para descrever o edifício onde o novo restaurante do grupo foi inaugurado a 15 de janeiro. E nem é por se situar dentro do Hotel 1904 do Benfica, também acabado de abrir.
Há cem anos, funcionava aqui o Bristol Club, um dos mais emblemáticos clubes noturnos de Lisboa, na esquina da Rua do Jardim do Regedor com a Rua das Portas de Santo Antão, na Baixa.
Aberto em 1918, o Bristol Club funcionou durante dez anos, até 1928, quando o “regime conservador e repressor” de Salazar se instala e a “febre dos loucos anos 20 vai passando”, lê-se no livro Os Loucos Anos 20 em Lisboa, de Cecília Vaz, sobre a noite e os clubes da época.
Pensado por Mário Ribeiro, empresário, o clube era frequentado por artistas e intelectuais da época e conhecido por estar sempre em festa. Jantares, cabaret, mulheres, champanhe, fumo, jogo e charleston eram ingredientes essenciais para as noites do clube. Também a decoração, com obras de artistas como Almada Negreiros, Eduardo Viana e Lino António, o tornavam um dos mais vanguardistas dos anos 20, até se tornar a sede do Sport Lisboa e Benfica nos anos seguintes.
Desses tempos, restam agora duas esculturas femininas, preservadas há mais de um século, da autoria de Leopoldo de Almeida, o centro das atenções da nova vida do espaço, que agora é Café de São Bento
O Café de São Bento original, fundado em 1982 na Rua de São Bento, um Recomendado Guia Repsol em frente à Assembleia da República, continua a funcionar, com o seu ambiente mais intimista. O novo espaço, com capacidade para 70 pessoas, é “o maior de todos”, um convite que partiu da Feels Like Home, grupo que transformou o hotel.
As mesas do novo espaço, feitas em Paços de Ferreira, são réplicas das mesas do restaurante original, tal como o resto da decoração, da alcatifa aos candeeiros, inspirados no restaurante em São Bento, que Miguel Garcia, antigo cliente, adquiriu em 2022.
A receita do bife, com molho à Café de São Bento, é inspirada na receita original dos bifes Marrare dos cafés inaugurados pelo napolitano António Marrare em Lisboa no século XIX, e mantém-se há 40 anos, com batatas fritas cortadas à mão e, por opção, ovo estrelado e esparregado. O bife pode ser da vazia (25 euros) ou do lombo (28 euros 200 gramas, 33 euros 250 gramas).
O novo restaurante traz algumas novidades, entre elas entradas como amêijoas à Bulhão Pato (16 euros) ou camarões al ajillo (13 euros), outro bife, com molho Madeira e cogumelos, uma receita que, segundo o dono do espaço, “já está em extinção”, e o chateaubriand para duas pessoas (52 euros), com molho Béarnaise.
Para já, o restaurante está aberto de terça a sábado, mas, a partir de março, a ideia é que funcione todos os dias da semana e até mais tarde em dias de espetáculos ou de jogos do Benfica no Estádio da Luz.
Café de São Bento. Rua do Jardim do Regedor, 7, Baixa, Lisboa. De terça-feira a sábado, 12h30-15h00, 19.00-00.00. T. 918 449 967
Snob
Paulo Guilherme d’Eça Leal, ilustrador do jornal “O Século”, na mesma rua, foi o fundador do bar, em 1964, mas os bifes – da vazia e do lombo, com molho de natas criado pela Dona Maria e batatas caseiras – só chegaram à mesa mais tarde, quando Adriano de Oliveira, também proprietário do restaurante Galo, comprou o bar.
Em 2024, o Snob, na Rua do Século, sala de estar para jornalistas até altas horas, reabriu depois de remodelações e com um novo proprietário: Miguel Garcia, o mesmo do Café de São Bento. A receita do bife à Snob foi passada pelo antigo dono, Albino de Oliveira, senhor Albino para os habitués da casa e irmão do anterior proprietário, tal como a receita dos croquetes e da mousse de manga.
Snob. Rua do Século, 178, Bairro Alto, Lisboa. De segunda-feira a domingo, 19h00-02h00. T. 926 459 164
Café do Paço
Apesar da decoração com sofás vermelhos de veludo, alcatifa, quadros antigos nas paredes e entrada com campainha, o Café do Paço, um Recomendado Guia Repsol, é bem mais recente do que se possa pensar. Abriu em 2009 e tornou-se conhecido pelo seu bife à Café do Paço, uma recriação dos bifes dos cafés Marrare lisboetas do século XIX.
Há dois anos, o grupo Paradigma, que também tem o restaurante Canalha, entre outros, comprou o espaço e manteve a fórmula. Refeições servidas até tarde, à uma da manhã, croquetes com dois tipos de mostarda, e o bife popularizado pelos antigos donos e pela cozinheira, a Dona Alice. Também existe noutras versões, frito com alho e com três pimentas.
Café do Paço. Paço da Rainha, 63, Campo Mártires da Pátria. De segunda-feira a sábado, 19h00-01h00. T. 218 880 185
Outro Tempo Bar
O grupo Cortesia, de Anna Arany, já era conhecido pela carne no restaurante de esquina em Campo de Ourique, Cortesia, o primeiro que abriram. Em 2025, decidiram ressuscitar o clássico Outro Tempo Bar, na Estrela, onde os bifes são o prato principal há mais de três décadas, desde 1988.
Andavam a namorar o espaço e falaram muitas vezes com o senhor António, antigo proprietário juntamente com o senhor João. Quando se reformaram, passaram-lhes o espaço. “Era quase um filho e percebemos que era nossa obrigação manter quase tudo”, diz Anna Arany.
O espaço foi remodelado e tem pratos de outros restaurantes do grupo, como os tártaros de novilho ou os carpácios de atum. No entanto, mantém na carta os “bifes Outro Tempo” com batata frita e esparregado. Por exemplo, o famoso entrecôte com molho à escolha: à casa, au poivre, champignons, Dijon ou Marrare (22 euros).
Outro Tempo Bar. Rua João Anastásio Rosa, 2-A, Estrela, Lisboa. De segunda-feira a domingo, 12h30-01h00. T. 213 978 219
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