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Tiago Santos, o chef residente do Midori, restaurante japonês do Penha Longa Resort, em Sintra, não esconde a sua timidez. É por isso que, à chegada ao restaurante de 18 lugares, os clientes são recebidos com uma pequena bola verde, o sakizuke, uma esfera de hortelã da ribeira, yuzu e saké. “É a nossa interpretação do mojito”, conta. “Serve para desbloquear, para quebrar esta barreira inicial do chef com os clientes. Sou muito tímido nos primeiros impactos e queremos criar uma relação com os clientes.”
O mojito explode depressa na boca e a “brincadeira”, como lhe chama, ajuda a descontrair e a puxar conversa. “Antes éramos mais formais”, diz o chef de 34 anos. “Gosto de profissionalismo e seriedade, mas o restaurante não tem de intimidar o cliente e isso também me tem ajudado a crescer.”
O Midori, que em japonês significa verde, em homenagem à Serra de Sintra envolvente – “mas que também é um nome próprio”, acrescenta Tiago – é um dos japoneses mais antigos do país, a funcionar desde 1992. Em 2017, e com o chef Pedro Almeida, agora a viver nos Estados Unidos, mas que se mantém como chef consultor, o restaurante mudou para o conceito que mantém até hoje: um restaurante exclusivo, com uma porta secreta numa das paredes do Spices, outro restaurante asiático do resort. E mais importante: uma “cozinha japonesa com alma portuguesa”, resume Tiago.
“Trabalhamos os ingredientes portugueses e os nossos sabores, mas sempre com técnicas japoneses”, explica. Alguns clientes, sobretudo portugueses, diz Tiago, resistiram ao conceito no início. Mas a combinação Portugal-Japão não é forçada e a influência da culinária portuguesa na gastronomia japonesa é conhecida.
Veja-se, por exemplo, o caso da tempura. “É aquela história muito batida, mas real”, continua o chef. “Os portugueses levaram para lá o nosso panado e eles aperfeiçoaram a tempura a um nível astronómico. Ou outras influências, como o escabeche, que é o nanbanzuke [no Japão].”
Os dois menus do restaurante, Kiri (a partir de 158 euros por pessoa, sem vinhos ou sakês) e Yama (a partir de 192 euros por pessoa, também sem harmonização), incluem 10 ou 12 momentos que combinam a técnica da cozinha japonesa com ingredientes portugueses. Ou quase todos portugueses.
O lírio, por exemplo, servido num sashimi kombujime com salada de cenoura algarvia, chega do Japão em menos de dois dias. “A espécie é a mesma, mas a diferença é a infiltração de gordura e a consistência do produto, eles são umas máquinas totais”, diz o chef. “Agora é muito mais fácil arranjar certas coisas em 36 horas. Assim que é pescado, é aplicada ao peixe a técnica do ikejime, que o preserva de forma impecável.”
Sempre que há atum de qualidade dos Açores ou do Algarve o chef é avisado com antecedência pelos fornecedores. De resto, só as algas, os vinagres e a soja vêm do Japão.
Desengane-se (mais uma vez) quem reduz a cozinha japonesa a sushi. “Dizer isso é como dizer que a cozinha portuguesa é só feijoada e pastel de nata. É um mundo.”
Os menus do Midori reforçam isso mesmo. Um dos novos pratos da carta, é uma reinvenção da sopa de miso à Bulhão Pato. No menu Yama, o sukiyaki de porco ibérico e pimentão é outra das novidades. Nas palavras do chef, é uma espécie de “hot pot luso-nipónico”, com massa de pimentão alentejana e porco preto criado em Portugal e transformado em Espanha.
Outra das novidades, no menu Kiri, é o cherne no sakamushi com edamame, preparado como se fossem “favas do chouriço do mar”, com mexilhão. Além destas novas criações, mantêm-se alguns clássicos da carta, como o trio de nigiris, um dos pontos altos do jantar, para comer com as mãos: nigiri de akami fumado, nigiri de chutoro em conserva e nigiri de otoro, braseado com carvão japonês.
Também com as mãos se come o temaki de sapateira com yuzu kosho e caviar, o outro momento em que o chef vem à mesa e nos avisa para “ignorarmos as regras de etiqueta” e comermos sem esperar por ninguém.
Nas sobremesas, com sakura, amêndoa amarga e cereja e petit fours de líchia e hibisco, kurozato com caramelo de miso e pimenta sansho e amêndoa, mantêm-se a consistência de toda a refeição. “O que queremos é que a comida seja boa e que a experiência seja agradável e não muito longa”, diz Tiago. “Aprendi isso com o chef José Avillez, mais do que duas horas e meia [de menu de degustação] é tortura.”
Foi com Avillez, na cozinha do Belcanto, que Tiago Santos começou como estagiário – até se tornar subchefe – antes de entrar no Penha Longa, em 2017. Trabalhou em várias operações do hotel (incluindo nos banquetes) até se juntar a Pedro Almeida no Midori, com quem comunica “com oito horas de diferença”, conta.
A restante equipa do restaurante é pequena: seis pessoas, incluindo a sommelier Eveline Borges e o sushiman Marcos Tamari, da comunidade japonesa de São Paulo — “traz-nos uma grande bagagem, aprendo todos os dias com ele, sobretudo no tratamento do peixe e nas curas. Os pais dele têm uma peixaria no Brasil.”
Um dos sonhos ainda não concretizados do chef é visitar o Japão. “Só que tenho de passar lá três semanas. É um mundo.”
Midori. Penha Longa Resort, Quinta da Lagoa Azul, Sintra. De terça-feira a sábado, 19h-22h30. Encerra ao domingo e segunda-feira. Menus a partir de 158 euros por pessoa, sem bebidas. T. 219 249 011
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