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O dia começa cedo num dos largos mais conhecidos da baixa da cidade de Faro. Por volta das sete da manhã, Vincenzo Lauri já se desdobra entre o Terceiro Lugar e o Pasta Fresca. De um lado, prepara-se a massa que irá fermentar nas próximas horas, do outro, corta-se guanciale, a italiana bochecha de porco curada e escreve-se na ardósia o menu do dia. O serviço arranca às 12h30, mas antes começam a chegar os primeiros pedidos de take-away.
No caminho que faz entre um sítio e outro, Vincenzo cumprimenta a vizinhança e há quem o procure para contar as novidades do dia. Ouve-se um olá vindo do outro lado da rua, num italiano desajeitado: “Vincenzo, come stai?”. O romano que se mudou para Faro em 2014 responde na mesma medida. Sente-se em casa e percebe-se que o bairro gosta de o ter por cá.
“Esta história de vir para Portugal aconteceu por acaso”, começa por contar. Natural de Carsoli — uma pequena aldeia perto de Roma —, viveu diferentes vidas antes de se dedicar, durante 17 anos, à indústria farmacêutica. Foi aí que ganhou uma experiência que hoje considera determinante para o processo de criação das pizzas para o Terceiro Lugar: “A comida é química e a massa requer um trabalho empírico, quase microscópico, de grande cuidado. São trabalhos com muito em comum”.
Na altura, durante a semana, trabalhava na farmácia e ao fim de semana rumava à casa de campo da avó, onde havia um forno a lenha antigo. Entre tentativas de chegar pizza perfeita em brincadeira com a sua mulher, Isabella, nasceu o sonho de abrir uma pizzaria. Da ideia à concretização, bastaram umas férias em Portugal, que recorda como decisivas para ganhar coragem para avançar com o projecto: “A experiência cá foi tão marcante que decidimos escolher este país lindo, sensível e democrático para morar. E connosco trouxemos a pinsa romana”.
Cabem muitas pizzas naquilo que conhecemos como “a pizza italiana” e a pinsa romana faz parte deste universo. “A diferença, à primeira vista, está no aspeto retangular. Mas é na mistura de três farinhas e nas longas fermentações que a pinsa se distingue”, explica Vincenzo. O resultado é uma massa leve, crocante por fora e macia por dentro.
Além da técnica, a qualidade dos produtos é inegociável para o italiano. O queijo e a charcutaria chegam de Itália, mantendo a ligação ao seu país de origem. Entre os ingredientes encontramos também spianata (enchido curado e achatado do sul do país), speck (uma espécie de presunto levemente fumado) ou nduja (um enchido típico da Calábria, bastante picante, feito com carne de porco e especiarias).
No Pasta Fresca To Go, o conceito é simples: massa feita no próprio dia, pronta para levar para casa ou para saborear no jardim em frente, nas mesas do espaço ou na esplanada. Diariamente, o menu é composto por cinco a seis massas, a 10 euros cada, limitadas à quantidade preparada.
Há os clássicos de sempre, sujeitos à sazonalidade, mas há também espaço para o improviso: “Gostamos de experimentar coisas novas. Se encontrarmos bons cogumelos e houver salsichas — que vou buscar a um talho em Olhão —, fazemos uma pasta com fusilli. Ou, se tiver boas beringelas, sou capaz de preparar uma pasta alla norma. A beringela é cortada, frita e acompanhada com molho de tomate e ricotta salgada e curada”.
A presença de Vincenzo faz parte da experiência. Carismático e caloroso, parece saber o nome de qualquer um que entre no restaurante. Às caras novas, pergunta do que gostam, de onde são, arranhando um “bonjour madame, ça va?” se for preciso. “Gosto de conversar e brincar, para que as pessoas se sintam em casa”.
Apesar de ser um verdadeiro mestre de cerimónias, Vincenzo confessa que, à noite, prefere estar no forno, onde tem uma visão completa do serviço, desde o pedido à confeção. Tal como no Pasta Fresca, no Terceiro Lugar não há reservas e as pizzas são limitadas, “porque a última pizza que sai tem de ser igual à primeira”. Antes da abertura, já se vê a fila formar-se à porta. Todos querem garantir mesa e a esplanada exterior enche rapidamente. A ementa lista várias pizzas — das clássicas às especiais, como as que se testam no dia e entram no menu — e inclui também tiramisu e a panna cotta caseiros.
No final da noite, ainda com a sala cheia, Vincenzo continua a cumprimentar as pessoas com o mesmo entusiasmo da manhã. As conversas paralelas, o calor do forno e dos copos de limoncello, provam que, depois da casa e do trabalho, o Terceiro Lugar é o lugar para se estar, como explica o nome. Poderíamos estar numa trattoria em Itália, mas também aqui é possível viver o sonho italiano.
O Terceiro Lugar. Praça Alexandre Herculano 30, 8000-417, Faro. Telefone. 925409591. Aberto de Terça a Sexta-feira, das 19h às 22h.
Pasta Fresca To Go. Praça Alexandre Herculano 12, 8000-417, Faro. Telefone. 968169139. Aberto de Terça a Sexta-feira, das 12h às 14h30.
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