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Da comida de rua reinventada à cozinha de autor, do pão de queijo dos botecos a clássicos como a moqueca, o bobó e a feijoada, damos-lhe seis sugestões de sítios para viver o Brasil sem sair de Lisboa.
Quando abriu, em 2022, o Cícero (1 Sol no Guia Repsol Portugal) deu nas vistas por ter sido o restaurante escolhido por Lula da Silva, presidente do Brasil, para almoçar à chegada a Lisboa. Paulo Dalla Nora Macedo, empresário pernambucano, colecionador de arte e um dos sócios, terá feito o convite.
Desde então, muitas mudanças aconteceram no restaurante que homenageia o pintor modernista Cícero Dias – nas paredes também há obras de outros artistas e até um Picasso. A primeira foi a entrada da chef Alessandra Montagne, que desde o final de 2024 assumiu a liderança da cozinha, com um menu de degustação de oito momentos (105 euros) que funde gastronomia francesa e brasileira.
Depois, em outubro, veio a mudança de espaço. De Campo de Ourique, o Cícero passou para o Chiado, para um lugar mais amplo, com 30 lugares, e mais luminoso.
Ana Carolina Silva, co-fundadora, é também a chef-executiva, a pôr em prática o menu que “reflete a história da Alessandra, com um pouco de Portugal”, explica. A começar pelas “memórias afetivas” de entrada, com um dadinho de tapioca, pão de queijo com caviar e uma coxinha de frango – como as coxinhas que Alessandra vendia nas ruas de Minas Gerais.
O menu varia consoante os produtos da estação, com ingredientes brasileiros que podem ser uma surpresa, como o pato em texturas com polenta, jambu (uma planta da Amazónia) e tucupi (um caldo da mandioca-brava).
Cícero. Rua dos Duques de Bragança, 5-H, Chiado, Lisboa. Terça-feira, 18h30-22h; quarta e quinta-feira, 18h30-22h30; sexta-feira e sábado, 18h30-23h30. Encerra ao domingo e à segunda-feira. T. 966 913 699
Carolina Brito vendia acarajés nas ruas de Salvador da Baía até ter sido desafiada por um casal de portugueses a ir trabalhar para um restaurante no Porto. “Chegou há 22 anos”, conta Ângelo Pais, gerente do Acarajé da Carol da Rua de Santa Marta, perto do Marquês de Pombal, um dos dois restaurantes da baiana em Lisboa.
O outro fica no Bairro Alto, na Rua da Rosa, muito perto da Casa do Brasil, onde o acarajé preparado por Carol se tornou conhecido nas noites de quinta-feira. “Ela trabalhava num restaurante brasileiro, o Sabor Mineiro, mas nas folgas, em vez de descansar, fazia acarajé na Casa do Brasil”, continua Ângelo.
Antes de abrir o seu primeiro restaurante, em 2018, no Bairro Alto, Carol já tinha sido convidada pela Embaixada do Brasil para preparar a especialidade afro-brasileira. “Não é só um alimento”, explica Ângelo. “É um alimento divino”, ligado ao candomblé.
A especialidade dos dois restaurantes – o do Marquês de Pombal, maior e com noites de música ao vivo, abriu em 2023 – chega a demorar 10 horas a ser feita. A base do “bolinho” a é massa de feijão frade frita em óleo de dendê (óleo de palma), que depois leva vatapá, salada de vinagrete e os camarões secos, trazidos de Salvador, que se comem com casca.
Além do acarajé, que também tem uma versão no prato, há pratos como o bobó de camarão, a moqueca ou a feijoada aos domingos.
Acarajé da Carol. Rua de Santa Marta, 78, Marquês de Pombal, Lisboa. De segunda-feira a sábado, 12h-15h, 18h-22h30; domingo 12h-15h. T. 213 570 946.
Kiko Martins nasceu no Brasil e viveu no Rio de Janeiro até aos 11 anos, quando se mudou para Portugal. “A minha mãe é pernambucana e sempre tive uma ligação muito forte com o Brasil”, conta o chef conhecido pela Cevicheria, no Príncipe Real, a funcionar desde 2014. “Quis abrir um espaço que honrasse essa minha base, a minha herança familiar.”
No final de 2019, surgia O Boteco, um restaurante brasileiro em pleno Largo Camões, no “epicentro de Lisboa” – o que à primeira vista poderia parecer “uma ideia bastante irracional”. “Devíamos estar a servir pastéis de nata, pataniscas de bacalhau ou açordas e arroz de polvo”, brinca o chef.
Em vez disso, na carta há pão de queijo, croquetes de feijoada, pastéis de vento, dadinhos de tapioca, picanha, feijoada ou bolo brigadeiro, um ar mais aportuguesados”, continua. Por exemplo, o bobó, “que em vez de ser de camarão é de bacalhau”. Ou o porco preto, “usado nalgumas preparações”.
De boteco, o espaço só tem mesmo o nome. Na parede, uma arara gigante de Bordalo II dá um ar mais descontraído, mas o requinte está lá, com um preço médio a rondar os 50 euros por pessoa.
O Boteco. Praça Luís de Camões, 37, Chiado, Lisboa. De segunda-feira a domingo, 12h-16h30, 19h-23h30. T. 300 601 338
A Matuta, na Penha de França, tornou-se o sítio perfeito para tomar o café da manhã, para um almoço rápido de pão de queijo, para beber uma cerveja gelada e ficar a par das fofocas, ou para matar saudades do Brasil.
Eduarda Meireles, de Minas Gerais, a fundadora do multifacetado café, começou por vender bolos por encomenda durante a pandemia nas redes sociais. “Estava desempregada e precisava de uma renda extra”, conta a publicitária e chef pasteleira.
O que há cinco anos era um negócio só para amigos e conhecidos ganhou popularidade e um espaço próprio, a funcionar desde julho de 2025 na Penha de França. O culpado talvez tenha sido o bolo de cenoura com brigadeiro, o mais pedido. “É uma super tradição nossa, um dos nossos bolos mais simples, mas que mais traz aconchego para a gente”, descreve Eduarda.
O bolo vende-se agora à fatia na Matuta, no espaço de um antigo café redecorado com objetos pessoais vindos do outro lado do oceano – como o papagaio Louro José, do programa de Ana Maria Braga. “Um pedacinho de Brasil real”, resume Eduarda.
O pão de queijo caseiro tornou-se outro dos favoritos da casa, com várias opções e fornadas a sair ao longo do dia: simples ou recheado com pernil, linguiça, frango, cogumelos, com goiabada ou doce de leite.
Mais que um ponto de encontro da comunidade brasileira, a Matuta é uma homenagem ao lugar onde Eduarda cresceu. “A minha vontade sempre foi essa, criar um espaço dedicado totalmente a Minas Gerais, que fosse a minha casa.”
Matuta. Rua Actor Vale, 15-B, Penha de França, Lisboa. De terça-feira a quinta-feira, 10h-18h; sexta-feira e sábado, 10h-21h30. Encerra ao domingo e à segunda-feira. T.
Comemora em novembro 45 anos e é o restaurante de comida regional brasileira mais antigo do país. O fundador, António Pinto Coelho, era diretor do Lisboa Penta Hotel, e viajava frequentemente para o Brasil. Em 1981, abriu o Comida de Santo no Príncipe Real, no espaço de uma antiga mercearia.
“Ele adorava ir para a Baía e achou que os portugueses também iam gostar da comida de lá”, conta a sua mulher, Flor Pinto Coelho, à frente do negócio com Gonçalo Pinto Coelho, filho de António. “Ele foi aprender a cozinhar para lá, abriu o restaurante e formou as cozinheiras”, continua. Uma delas, Ana Rocha, cabo-verdiana, está no restaurante há mais de 40 anos.
“No início, a carta estava bastante limitada à matéria-prima que havia”, conta Flor. Cachaça e limas, por exemplo, eram difíceis de encontrar. “O meu marido tinha a facilidade de viajar e trazer algumas coisas.” Hoje, a maior parte dos produtos encontram-se em Portugal. “Por exemplo, o queijo coalho, que vem de um casal brasileiro no Alentejo.”
No verão de 2024, o restaurante mudou de morada para um espaço mais moderno e luminoso, em Alcântara. Os pratos mantiveram-se, com clássicos como a feijoada, a moqueca, e uma novidade: uma sala aberta todo o dia, para petiscos como coxinhas, pregos de picanha e caipirinhas.
Comida de Santo. Rua 1º de Maio, 98, Alcântara, Lisboa. Domingo, segunda-feira, quarta-feira e quinta-feira, 12h-23; sexta-feira e sábado, 12h-23h30. Encerra à terça-feira. T. 213 963 339.
Cansada do fine dining, Alessandra Borsato decidiu abrir o seu próprio negócio em Lisboa onde reinventa uma comida de rua brasileira: o espetinho. A inspiração chegou depois de uma viagem à sua cidade natal, São Paulo, e depois de vários anos a trabalhar em cozinhas de chefs conceituados e da sua formação no País Basco – em Espanha, por exemplo, trabalhou no El Celler de Can Roca, e em Portugal com chefs como Henrique Sá Pessoa, Alexandre Silva ou José Avillez.
O pequeno restaurante – “com 16, 18 lugares máximo e umas três ou quatro mesas na esplanada” – abriu em abril de 2025 numa esquina de Campo de Ourique, o bairro onde a chef vive, no espaço de uma antiga tasca que foi remodelada para acolher “a cozinha de brasa”, conta.
A sua ideia foi aliar a técnica e o “bom produto” a uma gastronomia despretensiosa e “mais relaxada”, diz, como existe, por exemplo no País Basco. “Acho super divertido comer num espeto e dá para ter muita criatividade. Queria abrir uma coisa diferente, que ainda não existisse cá.”
Os espetos, feitos com produtos de pequenos produtores, variam consoante a estação e custam entre 3 a 12 euros. A ideia é pedir vários e ir experimentando. Por exemplo, o de lula com manteiga de wagyu e pimenta calabresa, o de milho, de cogumelo shitake e tarê de trufa preta ou o de maminha, com molho de carne e chips de alho frito.
Além de uma carta de vinhos “curta mas variada” (Alessandra também passou pelo Senhor Uva, o antigo wine bar e restaurante), há cerveja brasileira Original, uma raridade deste lado do oceano.
Flamma. Rua Coelho da Rocha, 110, Campo de Ourique, Lisboa. De quarta-feira a sexta-feira, 18h30-23h30. T. 962 578 449
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