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Restaurantes na Costa Alentejana

Restaurantes na ilha Terceira onde comer o prato regional

Prato Regional: Um almoço farto na Ilha Terceira

Atualizada: 10/02/2026

Texto: Austin Bush

Fotografia: Austin Bush

Na ilha Terceira, nos Açores, o prato regional é estrela: uma coleção de receitas de porco associadas à matança. Prove as versões destes quatro restaurantes.

Quando se pensa na comida dos Açores, tende-se a pensar logo em peixe e marisco. Ou, se perguntarem a Sérgio Santos, gestor do Ti Chôa, um restaurante tradicional na ilha Terceira, outro tipo de proteína: “Muitas das pessoas que visitam os Açores pensam que a nossa base gastronómica é a vaca,” diz, “mas, na verdade, é o porco.”

É nas casas de pasto da Terceira que esta cultura de consumo de porco se revela com maior nitidez – restaurantes rústicos que servem o chamado prato regional, uma combinação de especialidades suínas, algumas das quais que só se encontram na ilha.

Para dar a conhecer aos visitantes esta refeição profundamente local, mas relativamente desconhecida, destacamos quatro restaurantes na Terceira e os pratos regionais que aí se servem.

Casa de Pasto A Canadinha: o prato regional minimalista

Estamos na Casa de Pasto A Canadinha, em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, a olhar para uma travessa a abarrotar de inhame cortado em meias-luas com bocados de morcela e linguiça fritos, tudo isto coberto por um ovo estrelado.

O prato regional da Canadinha inclui uma morcela saborosa, cheia de cebola e especiarias.
O prato regional da Canadinha inclui uma morcela saborosa, cheia de cebola e especiarias.

“Prato regional era o que serviam às pessoas na matança”, explica-nos Filipa Fontes, a segunda geração de proprietários do restaurante, quando lhe perguntamos sobre a origem do prato. “Era fácil fritar todas estas coisas e espalhá-las numa mesa para que as pessoas se servissem. Era uma oferta pelo seu trabalho.”

O prato regional da A Canadinha é um dos mais minimalistas que encontrámos, facto compensado pelos enchidos da Salsicharia Pico Redondo, em particular a morcela aromática, carregada de cebola e especiarias, uma das melhores da ilha. Filipa acrescenta que o prato regional acabou por chegar ao universo dos restaurantes e, hoje, é um prato habitual num número cada vez mais reduzido de casas de pasto e restaurantes rústicos da ilha.

A decoração é rica em tauromaquia, como em muitas casas tradicionais da Terceira
A decoração é rica em tauromaquia, como em muitas casas tradicionais da Terceira

A refeição pode incluir diferentes elementos, mas os locais onde é servida tendem a ser alinhados no que toca ao ambiente. “Antigamente, casa de pasto significava um sítio onde os trabalhadores podiam comer – sem roupa de luxo, apenas botas sujas – e precisavam de comer bem,” diz-nos Filipa.

O estilo mantém-se fiel às suas origens de classe trabalhadora, e A Canadinha, aberta há trinta anos, está decorada com tudo o que está ligado à tauromáquica, incluindo uma cabeça de Cara Branca, um touro famoso pela sua agressividade.

A Canadinha. Av. Infante Dom Henrique 24 E, Angra do Heroísmo. De domingo a quinta, das 12h às 23h; sexta e sábado, das 12h às 00h

Casa de Pasto do Posto Santo: os torresmos de cabinho são a estrela.

Para os standards portugueses, ainda é cedo para almoçar. Com a chegada do meio-dia, trabalhadores das quintas-leiteiras, camionistas e trabalhadores da construção, já enchem a Casa de Pasto do Posto Santo, um restaurante no interior da Terceira. Alguns pedem o prato do dia, mas outros optam pelo “almoço regional”, uma refeição tipo buffet, que consiste sobretudo em receitas de porco.

“A minha casa é famosa pelo seu prato regional” diz-nos Maria de Carmelo Lopes Cabral, a antiga chef e agora proprietária da Casa de Pasto do Posto Santo.

“Aqui foi sempre servido, há mais de 30 anos.” Enquanto na maioria dos locais da Terceira os elementos são servidos num único prato, o almoço regional da Casa de Pasto do Posto Santo é, como o nome indica, uma refeição completa: a mesa está praticamente coberta de pratos com queijo fresco, queijo de São Jorge, morcela, linguiça, febras, ovo frito, feijoada, batata e batata-doce frita, arroz de pimento, fatias de laranja e ananás.

Maria de Carmelo Lopes Cabral é a dona da Casa de Pasto do Posto Santo
Maria de Carmelo Lopes Cabral é a dona da Casa de Pasto do Posto Santo

Mas o destaque aqui são, sem dúvida, os torresmos de cabinho. “Nos nossos torresmos, a carne solta-se facilmente do osso; isto é importante, não podem estar demasiado firmes,” diz-nos Maria. E tem razão, as costelinhas de porco, que foram marinadas em vinha d’alhos (vinho e massa de massa de malagueta), depois estufadas nessa marinada e lentamente fritas em banha, têm um exterior estaladiço e um interior tenro que se desfaz em fios ricos em gordura quando se puxa uma costela (daí o nome cabinho, de cabo).

Casa de Pasto do Posto Santo. Largo Terreiro 32, Posto Santo, Angra do Heroísmo. De segunda a sábado, das 12h às 15h e das 19h às 21h

Casa de Pasto Lima: um prato regional feito com humor

Sente-se à mesa na Casa de Pasto Lima, um restaurante situado quase à beira da pista de aterragem da Terceira, e é bem possível que se sente entre imagens de Salazar e Salgueiro Maia, que estão penduradas em paredes opostas da sala de jantar.

“Durante o dia estão sossegados”, conta-nos o proprietário de segunda geração, Carlos Lima, sobre as fotografias. “À noite, discutem, mas não estou aqui para ouvir”.

Carlos Lima é o anfitrião bem disposto, com piadas na ponta da língua.
Carlos Lima é o anfitrião bem disposto, com piadas na ponta da língua.

Estas interações explicam o ambiente aqui, uma das casas de pasto mais rústicas na ilha. “Uma casa de pasto é exatamente o que aqui vê,” diz-nos Carlos, passado a mão pela sala, “as pessoas podem entrar de botas de borracha, fatos-de-banho – tudo o que quiserem – desde que não venham nus”. Aqui, as piadas de Carlos Lima são as entradas para o prato principal, que inclui, todos os dias, o prato regional.

Mas os residentes sabem que devem vir às quartas-feiras, quando são preparados os torresmos de cabinho. As costelas, com um tom quase roxo – graças à marinada que utiliza vinho tinto local – são acompanhadas por febras salgadas e picantes, linguiça, morcela, um ovo frito perfeito – bordas estaladiças com o centro macio – e montes de arroz e batatas fritas.

Na Casa de Pasto Lima, o prato regional é generoso em batatas fritas, mas não em inhame
Na Casa de Pasto Lima, o prato regional é generoso em batatas fritas, mas não em inhame

Perguntamos a Carlos se o inhame faz parte da refeição, e ele responde que apenas a pedido, enviando-nos um prato com fatias de inhame cozido e frito, densas, ricas e quase amanteigadas. Um pormenor que destacamos, além das piadas, é o vinho de cheiro, um vinho tinto, doce e aromático, feito com uvas Isabela da região, que Carlos Lima serve em pequenas garrafas sem rótulo.

Casa de Pasto Lima. Est. do Juncal 230, Praia da Vitória. De segunda a sábado, das 7h às 21; domingos, das 8h30 às 19h.

Ti Chôa: uma degustação centenária num restaurante na Terceira

O prato regional ganha a sua forma mais elaborada no Ti Chôa, uma casa centenária transformada em restaurante, na costa ocidental da ilha. O nome é uma homenagem à antiga proprietária, que emigrou para os EUA, que era conhecida por dizer “chôa que sim, chôa que não” – a pronúncia açoriana de de sure em inglês.

A casa centenária foi transformada em restaurante de almoços
A casa centenária foi transformada em restaurante de almoços

Decorada com mobiliário antigo, tendo como centro a lareira (e uma TV LED onde passam touradas), o espaço assemelha-se mais a uma casa do que a um restaurante. No menu, o prato regional ganha o nome de Degustação, mas enquanto nos apresenta todos os elementos que compõem a bandeja de barro, Delisa Cardoso, proprietária de segunda geração do Ti Chôa, chama-lhe “prato de matança”.

No Ti Chôa, o prato regional inclui os antigos bolinhos de milho
No Ti Chôa, o prato regional inclui os antigos bolinhos de milho
Sérgio Santos, gerente, e Delisa Cardoso, dona do Ti Chôa
Sérgio Santos, gerente, e Delisa Cardoso, dona do Ti Chôa

Há molho de fígado, miúdos de porco estufados em vinho branco com especiarias (“antigamente, o molho de fígado era uma forma de aproveitar as miudezas do porco e conservá-las em banha”, conta-nos Delisa); morcela e linguiça (“fazemos nós próprios os enchidos, não é fácil”); torresmos de cabinho (“aqui, temos estas costelinhas pequenas, que as pessoas seguravam — como cabos — enquanto comiam”); e acompanhamentos ricos em hidratos de carbono, incluindo batata-doce cozida e, talvez o que mais nos marcou, bolinhos de milho, pequenos discos doces de massa de milho frita (“antigamente, quando não havia pão, ou não havia pão suficiente, fazíamos isto como substituto”). É uma refeição farta e deliciosa, em que a hospitalidade dos anfitriões e o ambiente familiar, tornam ainda mais agradável.

Ti Chôa. Grota do Margaride 1 Serreta, Angra do Heroísmo. De segunda a sábado, das 12h às 16h.