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O ritual de Natal em Lisboa passa pela Versailles

Pastelarias em Lisboa

O ritual de Natal em Lisboa passa pela Versailles

Atualizada: 19/12/2025

Texto: Clara Silva

Fotografia: Ana Brígida

A pastelaria centenária é paragem obrigatória para ir buscar o bolo-rei antes da consoada. Na fábrica, já está tudo a alta velocidade.

Bruno Costa ainda se lembra daquela véspera de Natal em que a fila para o bolo-rei da Versailles chegava ao outro lado da Avenida da República. “Foi uma visão que me ficou sempre”, começa o gerente da histórica pastelaria lisboeta. “A fila dava a volta por baixo, pelo metro, e ia sair ao outro lado, quase em frente ao McDonald’s.”

Pelas suas contas, o episódio terá acontecido há mais de 20 anos. “Acho que ainda nem estava a trabalhar na Versailles”, tenta lembrar-se. “Vinha cá só ajudar nas férias.”

Bruno Costa e António Marques são os responsáveis pela histórica pastelaria
Bruno Costa e António Marques são os responsáveis pela histórica pastelaria

Sobrinho de António Marques, um dos sócios-gerentes da casa, que costuma estar ao balcão, Bruno Costa “apanhou o bichinho da Versailles”, como lhe chama, com o tio. “Ele sempre foi muito apaixonado pela Versailles e sempre que podia vinha cá ter com ele.”

Aliás, foi na pastelaria que teve o seu primeiro trabalho, durante as férias da escola. “Ajudava a fazer o Natal”, recorda. “Acartava o bolo-rei lá de dentro cá para fora. Devia ter uns 14, 15 anos.”

Nessa altura, o bolo-rei da Versailles já se tinha transformado num “ritual” de Natal dos lisboetas, considera. “Foi uma explosão que aconteceu de há uns 40, 50 anos para cá”, diz. “Começou a tornar-se um hábito vir à Versailles buscar o bolo-rei, o bolo-rainha, as doçarias de Natal.”

O bolo-rei é um clássico na casa por estes dias, mas há outras pastelarias feitas especialmente para o Natal
O bolo-rei é um clássico na casa por estes dias, mas há outras pastelarias feitas especialmente para o Natal

Como se prepara o Natal na cozinha-fábrica da Versailles

Hoje, ainda é assim e a preparação para a loucura das encomendas de Natal começa logo no início de dezembro. Para evitar filas como as de outros tempos, a pastelaria implementou “há uns anos” um sistema de levantamento por horários e senhas a 24 de dezembro. As encomendas também só se fazem “presencialmente”, sublinha Bruno, que agora é responsável pela gestão da logística.

Todos os anos são vendidas “toneladas” de bolo-rei, o bestseller da casa, a 30 euros o quilo. O preço depende sempre do tamanho do bolo. Aliás, em 2022, tornou-se viral nas redes sociais uma fatura de um bolo-rei a 74 euros – na altura, a gerência explicou que o preço mais elevado se devia ao peso, também acima da média.

“Aquilo que queremos é dar ao cliente um produto premium”, continua Bruno. “Muitos sítios já não colocam pinhão [no bolo] porque os preços são altíssimos, mas nós continuamos a pôr. Continuamos a trabalhar com as melhores frutas do mercado e também a forma como trabalhamos a massa é mais artesanal.”

Tudo o que vai ao balcão e às mesas na Versailles é feito na casa, numa cozinha com tamanho de fábrica
Tudo o que vai ao balcão e às mesas na Versailles é feito na casa, numa cozinha com tamanho de fábrica

Desde o ano passado, a pastelaria tem uma parceria com o Pingo Doce para uma versão mais low-cost do bolo, a 9.99 euros, vendida nos supermercados. “Aquilo que nós fizemos foi agarrar na receita deles e dar o nosso toque, melhorar o que podia ser melhorado”, conta Bruno. “Este ano, fizemos o mesmo com o bolo-rainha.”

A parceria tem permitido que o nome da pastelaria chegue a outras zonas do país. “É muito conhecida a nível nacional, mas essencialmente em Lisboa. O ano passado tivemos muitas pessoas vindas do Norte para conhecer a Versailles graças a isso e é fantástico.”

103 anos de bolos e chás

A funcionar desde 25 de novembro de 1922, a Versailles foi fundada por José Monteiro Unhais, “o capitalista”, descreve Bruno, e Salvador José Antunes, “o obreiro”. “Eles eram transmontanos, mas o Salvador esteve em França e foi de lá que trouxe a ideia.”

Até 1926, quando foram proibidas designações estrangeiras, a Versailles era uma pâtisserie, a primeira das Avenidas Novas, com o madrileno Mariano Rey como pasteleiro. Funcionava como casa de chá, pastelaria e charcutaria e fazia caterings e chás-concerto, continua Bruno.

Bolinhos de chocolate e nozes de Cascais: a vitrine desta casa é bela e farta
Bolinhos de chocolate e nozes de Cascais: a vitrine desta casa é bela e farta

Agora com uma sociedade de onze sócios, outra loja em Belém (aberta em 2017) e franchisings em centros comerciais, a decoração ca casa-mãe mantém-se desde os primeiros tempos, com algumas obras de recuperação.

O relógio ainda funciona, ainda lá estão os quadros de Benvindo Ceia com vistas dos jardins de Versailles e também as talhas trabalhadas de Fausto Bernardes e os vitrais de Ricardo Leone. “Mantem-se inalterável, nem podemos tocar em nada”, diz Bruno, acrescentando que o balcão, esse sim cresceu.

Doces de Natal da Versailles não faltam

Longe dos olhares do salão principal, na cozinha-fábrica, a poucos metros, está tudo a “alta velocidade” para o Natal, com os preparativos das massas e recheios. “É tudo produzido por nós”, garante Bruno. Nesta altura, a equipa, com cerca de 35 pessoas, trabalha por turnos para que a fábrica mantenha a produção.

Além do bolo-rei, também o bolo-rainha (33 euros o quilo), só com frutos secos, tem vindo a ganhar popularidade nas encomendas. “A malta mais nova não gosta tanto de frutos cristalizados”, justifica Bruno.

Manuel Santos o chef pasteleiro da mítica Versailles
Manuel Santos o chef pasteleiro da mítica Versailles

Tudo é feito ali, consoante receitas antigas que vão passando de geração em geração até aos novos funcionários. Os sonhos (26 euros o quilo) também estão entre os mais pedidos, além de doces tradicionais, como azevias, coscorões, filhoses, fios de ovos, o clássico tronco de Natal com raspas de chocolate ou as fatias douradas. “As fatias douradas [3.95 euros a unidade] todos os anos terminam”, lamenta o gerente. “Todo o processo é complicado, porque não têm côdea, aparamos, e fazer isto em grande escala, [aos] milhares, é meticuloso.”

Além dos bolos para os jantares de família em casa, a Versailles é lugar de encontro de muitos locais
Além dos bolos para os jantares de família em casa, a Versailles é lugar de encontro de muitos locais

Também há petit fours, broas de espécie e castelar e outros doces que se encontram em qualquer altura do ano: duchesses, indianos, palmiers ou carrés de baunilha ou chocolate.

Apesar da “imponência” da casa e do “tipo de serviço praticado”, com funcionários de farda e guardanapos de pano, talvez o segredo da longevidade do negócio seja a aposta nos locais. “Não nos fixamos demasiado naquilo que é o turismo, fixamo-nos nos lisboetas, nas pessoas e no seu dia-a-dia”, diz Bruno Costa. Sem esquecer o “ambiente familiar” aos almoços. “Ao fim-de-semana juntam-se muitas famílias aqui, avó, pais e netos.”

Pastelaria Versailles. Avenida da República, 15-A, Lisboa. De segunda-feira a domingo, 7h15-22h. Telefone: 213 546 340