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Na ilha do Pico acontecem várias magias. Por exemplo, esquecermo-nos dos óculos no avião à chegada e só nos lembrarmos a vários quilómetros de distância. Ainda assim, os suficientes para voltar atrás, com o avião na pista prestes a levantar voo, e contar com a generosidade de outro passageiro que os guardou e nos espera nas portas do aeroporto.
Vantagens de uma ilha, por sinal a mais jovem dos Açores (as erupções que a formaram aconteceram há menos de 300 mil anos), com vinhas que são Património Mundial da UNESCO e onde se ergue a montanha mais alta de Portugal, a do Pico, popular entre turistas com mais e menos experiência de escalada.
Ainda bem que estamos de óculos para ver bem o cenário que temos em frente. E nem estamos a falar do topo do Pico, que, entre nuvens, vai dando um ar da sua graça. É no meio de vinhas e pedras vulcânicas perto do mar que surge, isolada, a Azores Wine Company, uma mistura entre adega, hotel, sala de provas e restaurante. Ou melhor, “uma adega onde se pode dormir”, resume Filipe Rocha, o anfitrião e cofundador da empresa criada em 2014 com o enólogo António Maçanita.
De portas abertas ao público desde 2021, a Azores Wine Company é um “projeto de interesse regional” e uma exceção na paisagem protegida da ilha. “É proibido construir aqui”, confirma Filipe, que se mudou para o Pico com a mulher, Judith Martin, natural das Canárias, a responsável pelo enoturismo da empresa. “Somos o único projeto de exceção de paisagem construído até hoje.”
O edifício que serve de hotel com cinco quartos, um apartamento e uma adega está instalado entre os currais, os históricos muros de pedra basáltica que protegem as vinhas dos ventos marítimos. A inspiração para o projeto veio das pequenas adegas que existiam junto aos currais no século XIX, numa altura em que as vinhas eram o principal sustento da ilha, antes de serem dizimadas por doenças como o oídio e a filoxera.
Chegaram a ser “15 mil hectares de currais”, continua Filipe. “Mas desapareceu a indústria, o Pico perdeu metade dos habitantes e a floresta tomou conta [das vinhas].”
A Azores Wine Company ajudou a mudar o cenário na ilha. Não é por acaso que, de uma atividade praticamente extinta, surge agora a uva mais cara do país, a custar “entre 4 e 6 euros o quilo”, explica. “Há um antes e um depois da Azores Wine Company.”
Para plantar as primeiras vinhas foram precisos “três anos e 30 homens a cortar o mato e a repor os muros”, recorda Filipe, que nasceu em São Miguel e foi durante 12 anos diretor da Escola de Hotelaria da ilha. O seu sócio, o enólogo António Maçanita já investigava a Terrantez do Pico, casta autóctone praticamente desaparecida, que ressuscitou com um primeiro vinho em 2010, feito numa parceria com os Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel.
“Há um fio condutor nos projetos do António Maçanita que tem a ver com recuperar o património e valorizar pequenas parcelas esquecidas que têm um valor incalculável e que são hoje a nossa força”, considera Filipe.
Foi assim no Algarve, com a casta Negra Mole, no Alentejo com a Tinta Carvalha, e é assim nos Açores, onde, só nos quatro primeiros anos no Pico a Azores Wine Company recuperou 125 hectares de vinhas para fazer vinhos.
São esses vinhos a principal atração da empresa, que organiza provas diárias com vista para as vinhas e para o mar, “onde se ouve o cantar do caranguejo”. “Os antigos dizem que é o melhor sítio para plantar, junto ao mar, onde há mais horas de sol e fora da nuvem [da montanha].”
Uma das vinhas mais famosas da empresa, a Vinha dos Utras, na Criação Velha, nasceu de uma vinha adquirida em 2018, com uma idade média de 80 anos, a 50 metros do mar, a que consegue maior exposição solar, tal como a mais antiga, a Vinha Centenária, com mais de 100 anos.
Na Azores Wine Company, as provas começam nos 30 euros, como a “Sal & Especiarias”, com três vinhos feitos a partir de castas autóctones: Arinto dos Açores, A Proibida Rosé e A Proibida Tinto (uma homenagem à casta local proibida, a Isabella). Incluem também vinhos de outras regiões feitos por Maçanita (como na prova “Loucos por Brancos de Portugal”, a 40 euros), ou a mais completa “Viagem das Castas” (50 euros por pessoa), para conhecer a história das castas locais e visitar a adega.
Para uma experiência mais completa, o ideal é provar os vinhos com os menus de degustação do restaurante Latitude, no andar de cima da Azores Wine Company, com pratos preparados pelo chef Rui Batista, natural da ilha de Santa Maria e antes subchefe do Otaka (Recomendado Guia Repsol 2025), de cozinha nikkei em São Miguel.
O seu objetivo é “entregar uma boa experiência com vinho e comida”, com menus sempre diferentes, feitos a pensar no pairing vínico, com “98% de produtos açorianos” – a soja, por exemplo, é uma exceção e vem de uma produção artesanal em França. São alguns exemplos a lula dos Açores com lapas, pickles de funcho do mar e leite tigre, o tataki de atum com xarope de couve-flor e puré de espinafres da costa, apanhados pela equipa, o lírio com pó de algas, espirulina e caldo de peixe do Pico ou o kofta de borrego de Santa Maria.
A experiência pode ser ao balcão, de frente para a cozinha aberta, com menus mais curtos de quatro ou seis momentos, a partir de 55 euros por pessoa, sem vinhos. No entanto, o ex-libris do restaurante é a Mesa Pico, uma enorme mesa de pedra vulcânica do designer Mircea Anghel com dez lugares onde se prova o menu de degustação de dez momentos, como o Latitude 38º27’ (175 euros), com uma seleção de seis vinhos do Pico, incluindo algumas raridades vindas da adega no andar debaixo.
Azores Wine Company. Rua do Poço Velho, Cais do Mourato, Bandeiras, Pico. Todos os dias, 14h-18h. A partir de maio e até setembro, aberto todos os dias, 14h-19h. Restaurante Latitude aberto de quinta-feira a segunda-feira, 19h-23h. T. 918 266 989
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