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A prática já existe no Chile e chegou ao Alentejo pela Quinta do Quetzal, em Vila de Frades, na Vidigueira: vinhos são expostos a música como parte do processo de vinificação. “Começou com música clássica e agora temos uma instalação [sonora] de Susan Philipsz a tocar na adega e também nas vinhas”, conta Reto Jörg, o administrador da quinta.
“Ao longo do estágio o vinho está a fazer maturação sempre ao som da música”, continua Ricardo Tavares, da equipa de enologia. “É um conceito que vem de outras partes do mundo, com alguns estudos mais ou menos bem aceites, um deles na América do Sul, numa vinha chilena muito famosa, que sinalizou a diferença entre um vinho que estagiou ao som da música e outro que não”, explica Ricardo.
Pelos vistos, as “boas ondas da música” influenciam o vinho e tornam os taninos menos agressivos. É assim na Viña Montes, no Chile, onde os vinhos da sala de barricas envelhecem ao som de cantos gregorianos 365 dias por ano, e é assim na Quinta do Quetzal, no Alentejo, onde a escocesa Susan Philipsz, artista vencedora do Prémio Turner que explora as potencialidades do som, preparou a instalação “Tomorrow’s Sky” para a adega e para as vinhas.
“São uvas muito cultas”, brinca alguém durante uma visita à moderna adega circular, projetada para funcionar por gravidade. Na sala de barricas também há um néon do artista israelita Yael Bartana, onde se pode ler “Trembling Times”, uma encomenda da holandesa Aveline de Bruin, responsável por toda a parte artística da quinta.
Aveline, filha dos fundadores da Quinta do Quetzal, Cees e Inge de Bruin, colecionadores e mecenas de arte contemporânea, é a diretora do centro de arte, inaugurado em 2016 no piso inferior do edifício onde também funciona o restaurante. A coleção privada da família costuma ser o ponto de partida para as exposições anuais do centro, com obras de artistas internacionais, consagrados e emergentes.
Até março, pode ser vista a exposição “Espinosa Regressa à Vidigueira”, na qual vários artistas exploram diversas reflexões do filósofo Bento Espinosa, cujo pai nasceu na Vidigueira. Em permanência e espalhadas pela quinta estão também outras obras de artistas internacionais. Por exemplo, uma escultura da artista turca Müge Yilmaz, “Godess of Harvest”, a abençoar as vinhas, ou “Under the Mountain”, um mural do belga Kasper Bosmans a decorar o edifício do centro de arte.
Os dois artistas foram também convidados a criar rótulos para os vinhos Arte, edições especiais Quetzal que celebram a ligação da quinta à arte contemporânea, ao vinho e à gastronomia. “A cada nova edição guardamos a peça do artista algures na quinta”, explica Ricardo Tavares, da equipa de enologia. A ideia é que, com cada vez mais peças espalhadas pelos 52 hectares (22,5 hectares são vinha), se crie um mapa de percurso artístico para sinalizar as peças.
Foi em 2001 que a família de Bruin comprou os primeiros 12 hectares da quinta. “Alguma coisa chamou a atenção aqui para a Vidigueira”, conta o administrador da quinta, Reto Jörg, natural da Suíça e a viver em Portugal desde 1986. “O Alentejo é uma planície, mas se olharmos para aqui vemos uma coisa diferente, com terras mais férteis, muito xisto, muito granito, um terroir diferente com a Serra do Mendro em frente e o seu microclima, a fazer a divisão entre o Alto e o Baixo Alentejo.”
O primeiro vinho da Quinta do Quetzal foi produzido em 2002 e a adega foi construída uns anos mais tarde, em 2006. Só em 2016 foi inaugurado o edifício principal da quinta, com o centro de arte, a loja e o restaurante.
João Mourato, de 30 anos, natural de Portalegre, é o chef do restaurante da Quinta do Quetzal desde a sua abertura, em 2016. Na altura, quando chegou, achou que não iria ficar muito tempo. “Parecia que estava no meio do deserto, achei que não ia aparecer ninguém”, recorda. “A ideia era ficar só um ano. Já estou há nove”, ri-se.
O restaurante, com uma varanda com vista para as vinhas digna de uma imagem de fundo de ambiente de trabalho, atrai a maioria dos visitantes da quinta, sobretudo aos fins-de-semana. “Oitenta por cento são portugueses”, adianta o chef. Mas também têm sido cada vez mais os turistas a procurar os menus de degustação (60 euros para sete momentos ou 75 euros para nove momentos), ideais para pairings com os vinhos da casa (harmonizações entre 35 e 55 euros).
O conceito da carta principal é o da partilha, com produtos na maioria locais e parcerias com produtores da região. Aliás, o chef é embaixador do projeto de Carnes do Montado do Baixo Alentejo, a garantir pratos de raças autóctones como a vaca garvonesa com arroz de forno (58 euros), o borrego campaniço (24 euros) ou o porco alentejano assado com arroz cremoso de cogumelos (25).
O peixe do rio e os lagostins do Guadiana (servidos à Bulhão Pato) são garantidos por um pescador local, os legumes vêm da Sociedade Agrícola Val das Dúvidas, nas redondezas, e os cogumelos são de uma produção biológica em Aljustrel.
“Um produto que vim aqui conhecer e gosto muito é a silarca”, conta o chef. “É um cogumelo que nasce debaixo da terra e é um produto extraordinário. Faço arroz de perdiz com silarca, ovos com silarca. Apanha-se normalmente em março e as pessoas aqui são viciadas em ir à silarca – como se vai à caça ou à pesca. Mas nunca dizem onde vão apanhar.”
Quinta do Quetzal. Estrada das Sesmarias, Apartado 19, Vidigueira. De quarta-feira a domingo, 11h-17h00, e sábado, 11h-21h30. Encerra à segunda e terça-feira. Telefone: 284 441 618. reservas@quintadoquetzal.com
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