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Quase como se tivesse sido posta do centro de Portugal, a aldeia Casal de São Simão é uma única rua ladeada de uma mão-cheia de casas de pedra. Situada no cimo de um monte no distrito de Leiria, é membro das Aldeias de Xisto, uma rede de 27 aldeias remotas no centro interior do país.
Acredita-se que Casal de São Simão remonte à época medieval, e, como muitas outras, foi sendo abandonada ao longo do século XX. Contudo, atualmente, tem havido um ressurgimento do interesse nestas pequenas aldeias e cinco das 23 das casas em São Simão são habitadas durante todo o ano, fazendo com que a terra ganhe mais vida quando comparada com outras Aldeias de Xisto.
Ao contrário de outras nesta rede, as casas aqui são feitas de crista quartzítica, não xisto, o que lhes confere um tom terroso, ocasionalmente cintilante. A rua única alberga um fontanário, uma eira e um forno comum. Se olhar para lá das casas, verá árvores de dióspiro, citrinos, oliveiras e macieiras, vinhas e até sobreiros.
A estrutura mais proeminente do Casal de São Simão é também a mais moderna: no cimo da colina com vista sobre a aldeia encontra-se a Varanda do Casal, um restaurante surpreendentemente contemporâneo, o único na aldeia. “A minha ideia é manter-me ligado às raízes daqui, mas usando alguns toques modernos”, explica Diogo Santos, um jovem de 21 anos natural de Figueiró dos Vinhos, vila vizinha, e chef do restaurante.
Isto traduz-se num menu de pratos robustos com nuances refinadas, como a cabra assada em vinho do Porto com xerém, sobre a qual Diogo se apressa a esclarecer: “Isto não é uma chanfana!”. Menciona ingredientes: chocolate, cardamomo, canela, anchovas, ingredientes que normalmente não fazem parte deste prato tão local, e o resultado é algo mais súbtil, rico e aromático.
Em termos de produtos locais, Diogo recorre ao azeite e azeitonas de Sicó, produtos de Figueiró dos Vinhos e pão de centeio cozido numa aldeia próxima. E, dado que o Casal de São Simão se situa na interseção de três regiões vinícolas – Beira Interior, Bairrada e Dão – a seleção de vinhos locais do restaurante é bastante diversificada.
A Varanda do Casal acolhe também uma filial das Lojas Aldeia do Xisto, pequenos espaços onde se vendem produtos locais como tisanas, compotas, mel e artesanato.
Próximo da aldeia, quase no cimo do Monte de São Simão, encontra-se a Ermida de São Simão, que se acredita datar do século XV. A capela está normalmente trancada, mas um caminho traseiro levá-lo-á a uma série de plataformas elevadas com vistas que se estendem até às Fragas de São Simão, do outro lado da aldeia.
A melhor forma de explorar as imediações do Casal de São Simão é a pé. O Caminho do Xisto de Casal de S. Simão (PR1 FVN) é um percurso circular de 5,1 quilómetros que passa pelos locais de visita obrigatória perto da aldeia. O trilho está, em geral, bem sinalizado, mas uma aplicação de caminhadas será aqui um recurso útil.
Se começar na aldeia, desça 600 metros até à praia fluvial. À medida que a extraordinariamente cristalina Ribeira de Alge serpenteia pelas falésias estreitas e íngremes, formam-se piscinas naturais – uma enorme atração no verão. É também aqui que encontrará o único alojamento da zona: Moinho das Fragas, um antigo moinho que foi convertido num acolhedor, moderno, T1 para férias, a apenas passos de distância de alguns dos melhores lugares para uns mergulhos. Durante o Verão, é necessário marcar com bastante antecedência.
Poderá voltar pelo mesmo percurso ou continuar em direção a sudoeste. Em Além da Ribeira encontra-se um moinho de água, que ocasionalmente é posto em funcionamento. O percurso segue para sul, através de resquícios de uma floresta de Laurissilva, antes de se dirigir novamente para norte, passando por pequenas aldeias e por aquilo que parecem ser intermináveis eucaliptos, até regressar ao Casal de São Simão.
Se Casal de São Simão começar a ficar demasiado pequeno para si, há possibilidade de fazer algumas excursões que, apesar de pequenas, valem a pena.
O roteiro natural leva-o até Figueiró dos Vinhos, a sede do município a que pertence o Casal de São Simão. No interior da Igreja Matriz, o pano de fundo do mural de José Malhoa sobre o Batismo de Jesus não retrata o Médio Oriente, mas sim as Fragas de São Simão.
Se estiver na vila numa quarta ou sábado, a poucos quarteirões, encontrará o mercado de Figueiró dos Vinhos, um verdadeiro mercado agrícola, onde se vende azeite caseiro em garrafas recicladas. Nas proximidades, a Confeitaria Santa Luzia é conhecida pelo seu pão de ló único, cozido numa forma metálica com bordas onduladas. “A tradição com este pão de ló é que se deve comer com as mãos”, diz o proprietário, da terceira geração da pastelaria. Seguimos as suas instruções e descobrimos um bolo leve e fofo – muito menos intenso em ovo, doce e rico do que as versões vendidas noutros locais do país.
Se se dirigir 10 quilómetros para Sul daqui, encontrará Foz de Alge, um outro destino merecedor de visita, especialmente no Verão. O ponto onde a Ribeira de Alge e o rio Zêzere se encontram, resultou numa praia fluvial arenosa, bastante popular tanto para nadadores como para os que passeiam de barco. Também é aqui que verá um pequeno restaurante sazonal, O Barqueiro, que se especializa em achigã, um peixe de água doce, originário das Américas e introduzido na região.
Se quiser conhecer um lado menos selvagem da região, um outro excelente passeio é a Rota Dona Maria (PR7 AVZ), que circunda a freguesia das Maçãs de Dona Maria a 10 quilómetros a sul de Casal de São Simão. O percurso tem 12,5 quilómetros, passando maioritariamente por aldeias rurais onde se cultivam uvas, maçãs, citrinos e oliveiras.
Este texto foi traduzido por Raquel Dias
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