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Na Herdade do Portocarro, Arroz escreve-se com letra maiúscula

Produtor de arroz no Sado

Na Herdade do Portocarro, Arroz escreve-se com letra maiúscula

Atualizada: 02/03/2026

Texto: Filipa Vaz Teixeira

Fotografia: Marisa Cardoso

No Sado, a Herdade do Portocarro é conhecida pelos seus vinhos, mas também pelos seus arrozes de terroir. Bomba e Ronaldo são as variedades da Loverice, indicadas para um bom malandrinho. 

O Sado é um rio extraordinário, não só por ser um dos poucos rios portugueses que corre de sul para norte, lição que se aprende cedo na escola primária, como pela sua riqueza histórica e natural.

É por aqui, na Reserva Natural do Estuário do Sado, que podemos encontrar o único lugar comprovadamente fenício do país, a Feitoria de Abul, vestígio que nos diz que já havia embarcações do Médio Oriente a navegarem neste leito desde o século VII a.C., bem antes de os romanos se acercarem destas margens.

A herdade do Portocarro conta com 60 hectares de arrozal
A herdade do Portocarro conta com 60 hectares de arrozal

“O nome Portocarro refere-se a um antigo porto que havia na zona do Carro, tal como acontece com a localidade de Porto de Rei. Até há bem pouco tempo, o Sado era um rio navegável”, explica José Mota Capitão, pés assentes no presente, ideias apontadas para as gerações vindouras e um saber enraizado no anteontem.

É ele que gere há 35 anos a Herdade do Portocarro e que lhe moldou o carácter para aquilo que agora conhecemos: uma propriedade de agricultura sustentável, onde o vinho tem genica e “supera o exame do tempo” e onde é dado ao arroz honras de protagonista. “Ambiciono ter o produto mais genuíno do mundo”, diz sem meias medidas.

José Mota Capitão gere a herdade há 35 anos, mantendo a produção de arroz e vinhos
José Mota Capitão gere a herdade há 35 anos, mantendo a produção de arroz e vinhos

Mas que arroz é este?

Foi precisamente o arroz que nos trouxe até àquele porto do Vale do Sado, terroir excecional para esta cultura: por ser mais quente do que o vale do Mondego e do Sorraia, a maturação do arroz é mais rápida e aquilo que se planta em maio já está no tacho em outubro. “No início da primavera lavramos e em maio fazemos a sementeira a seco. Depois, damos a primeira alagadela para o arroz nascer”, explica José Mota Capitão, diante dos seus 60 hectares de arrozais.

Nestes terrenos do estuário no Sado crescem as variedades Bomba e Ronaldo
Nestes terrenos do estuário no Sado crescem as variedades Bomba e Ronaldo

Até ao momento da colheita, os canteiros são alagados de forma controlada e intermitente. Isso permite poupar água, controlar ervas infestantes e manter a temperatura estável, tudo coisas que o arroz aprecia quando se está a desenvolver. De resto, é rezar para que as cegonhas não debulhem tudo à sua volta, ougadas que estão pelos lagostins do rio que se acomodam nos canteiros.

Ao todo, a Herdade do Portocarro produz cerca de 200 toneladas de arroz por ano, das quais 20 são embaladas como marca própria. As restantes, são vendidas aos grandes produtores, para serem incorporadas nos seus lotes. Não é que José Mota Capitão, que come arroz todos os dias “com gosto”, não preferisse vender toda a sua produção como Loverice, a marca por si criada. Mas o mercado português, embora seja o que consome mais arroz per capita na Europa – acima dos 16kg por ano – pouco valoriza este grão (um minuto de silêncio por todos os caldosos feitos com arroz agulha).

As vinhas estão na parte mais alta do terreno para que não alaguem e dão vinhos com todas as características da região de Setúbal
As vinhas estão na parte mais alta do terreno para que não alaguem e dão vinhos com todas as características da região de Setúbal

Como escolher o arroz certo

“Comecei a plantar arroz em 2015, mas só de 2022 para cá é que começou a dar rentabilidade”, diz. A maior parte da produção vai para a restauração, mas através da distribuidora Qual House, especializada em produtos gourmet, é possível ver a Loverice em pontos de venda selecionados pelo país.

Embora já tenha plantado 32 variedades diferentes, num trabalho de desenvolvimento e de investigação feito em parceira com a COTArroz (Centro Operativo e Tecnológico do Arroz), as espécies que podemos encontrar no mercado são a Ronaldo e a Bomba. Em breve talvez tenhamos outra, desvenda Capitão. Será a Eneia, mas isso é conversa para outros cozinhados.

A marca Loverice vende exclusivamente os bagos aqui produzidos e separados por variedade
A marca Loverice vende exclusivamente os bagos aqui produzidos e separados por variedade

Certo é que qualquer uma destas espécies é da família japónica, na qual se inserem os carolinos, ou seja, arrozes de grão curto, arredondado, que absorvem mais os sabores e são mais cremosos. Da família índica, à qual pertencem os chamados agulha, não reza a história da Herdade do Portocarro.

O arroz Ronaldo, explica José Mota Capitão, é indicado para risotos e para arrozes malandrinhos, pelo que um bom caldo lhe assenta como uma luva. Tem a particularidade de manter o bago cremoso por dentro e íntegro por fora. Já o Bomba, a menina dos olhos de muitos chefs de alta cozinha, tem o grão curto e cor de pérola. Durante a cozedura, triplica o seu tamanho, mas nunca se esborracha ou desintegra. É a escolha certa para paellas e para um bom arroz de forno, daqueles que ficam com uma deliciosa capa caramelizada (a dita socarrat).

A par de uma coleção de antiguidades, José Mota Capitão guarda pelo menos uma garrafa de cada vinho produzido desde 2002, o primeiro ano como produtor
A par de uma coleção de antiguidades, José Mota Capitão guarda pelo menos uma garrafa de cada vinho produzido desde 2002, o primeiro ano como produtor

Qualquer dúvida, o site da Herdade do Portocarro tem algumas dicas de receitas, para experimentar em casa. E José Mota Capitão deixa ainda um conselho: guarde sempre o arroz no frigorífico, para que o gorgulho não se desenvolva. O inseto nunca matou ninguém, é certo, mas este arroz merece uma proteína digna. “O futuro não está na quantidade, mas na qualidade”. Anotemos bem estas palavras e chamemos os arrozes pelo nome.

Herdade do Portocarro. São Romão do Sado, Torrão, Alcácer do Sal. 934 060 790. 9h-17h (fecha ao fim de semana).