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Foi durante as obras do hotel Senhora da Rosa que Joana Damião Melo, a proprietária, teve uma ideia inesperada: instalar um tanque de água quente dentro da estufa de ananases da quinta. “Fomos o primeiro hotel da ilha a ter uma piscina dentro da estufa”, garante a gestora hoteleira, natural de São Miguel. Hoje, o tanque aquecido tornou-se o cartão de visita do hotel na Fajã de Baixo, a freguesia de Ponta Delgada onde se concentram as principais produções de ananases da ilha.
Em 2019, Joana e o irmão, o ator Miguel Damião, juntamente com um terceiro sócio, conseguiram comprar a antiga pousada dos pais, a Estalagem Senhora da Rosa, que funcionou de 1994 a 2011, até falir. “Na altura, eu vivia em Espanha e só voltei para São Miguel mais tarde, em 2015, para abrir o Santa Bárbara Eco Beach Resort”, continua Joana, que foi diretora do hotel na praia de Santa Bárbara, na costa Norte. “A estalagem esteve à venda e ao abandono durante oito anos, até que, em 2019, consegui finalmente comprar o edifício.”
Joana já conhecia os cantos à casa. A quinta a quatro quilómetros do centro de Ponta Delgada estava na sua família há mais de dois séculos. “No século XVIII, éramos grandes produtores de laranja, até que uma praga destruiu as laranjeiras na ilha e os donos das terras tiveram de procurar produções alternativas e viraram-se para o ananás”, conta. Foi o que aconteceu na sua quinta, onde a atual estufa de ananases com piscina é a única sobrevivente da produção que a família ali mantinha nesses tempos.
A ideia do hotel foi manter a ligação “à história da propriedade e da família”, explica Joana. O edifício da antiga estalagem foi recuperado e tem agora 33 quartos (entre suítes, duplos e deluxes), decorados com fotografias de São Miguel, algumas tiradas pelo próprio Miguel Damião, irmão de Joana, que entra na famosa série da Netflix “Rabo de Peixe”, filmada na ilha.
Lili Damião, a mãe de Joana, também participou no projeto e foi a responsável pela decoração de interiores, a preservar a história da família através de alguns objetos antigos em exposição numa vitrine: toucas de bebé, brinquedos, livros, chapéus, caixas de chocolates e até um equipamento de esgrima.
No jardim do hotel, há mais dois quartos escondidos que pretendem recriar os antigos cafuões onde a avó de Joana armazenava cereais e instrumentos de trabalho. “Os cafuões eram elevados [do chão] para que os ratos não entrassem”, continua Joana, enquanto nos mostra um dos bungalows, com uma banheira exterior com vista para as bananeiras.
Lá fora, há mais árvores exóticas – ao todo dão 14 frutos diferentes, diz Joana – e uma piscina exterior a imitar um tanque agrícola. “Enquanto outros hotéis demoram anos a criar um jardim, nós temos este há 200 anos e o nosso objetivo é preservá-lo ao máximo”, sublinha a proprietária.
À chegada aos quartos, os hóspedes são recebidos com um pequeno ananás da produção familiar da Quinta da Feteira, a poucos quilómetros do hotel. São produzidos em estufas por João Luís Oliveira, o tio de Joana, e têm certificação biológica. Estão à venda nalguns supermercados da ilha e, às vezes, também se encontram na pequena loja do hotel. Com sorte, é possível prová-los ao pequeno-almoço, aos pedaços ou no sumo do dia.
O ananás é também um dos cheiros mais memoráveis das amenities do hotel, numa parceria com a Flora Azórica, uma saboaria local. No spa, aberto também a não-hóspedes, a maioria dos tratamentos é feita com óleos essenciais de produtos da quinta. “Tanto no spa como nos nossos dois restaurantes, vivemos muito dos locais”, admite Joana, que também inaugurou um campo de padel aberto ao público.
Os restaurantes têm a mesma filosofia, abertos tanto para hóspedes como para visitantes. O Mirante Rooftop Bar, um restaurante panorâmico de inspiração asiática a funcionar desde 2022, tornou-se popular entre os habitantes da ilha para DJ sets ao pôr-do-sol, festas, cocktails na esplanada e sushi. “Quando abrimos, queríamos ter o primeiro rooftop da ilha”, explica Joana. “Não existia nenhum. É um restaurante pequeno, com 22 lugares, mas com uma enorme esplanada no Verão.”
Veio também preencher a lacuna de restaurantes asiáticos na ilha – quando abriram “só existia mais um”, diz Joana. O açoriano Pedro Rosa, que trabalhou com Paulo Morais no Kanazawa, é chef responsável, com pratos como o trio de nigiris (com atum, lírio e salmão), o suzukuri de lírio, ceviches, tártaros e tempura de peixe do dia. “Tentamos ao máximo ter peixe da nossa terra”, continua Joana. “Por exemplo, o lírio ou o serra, da família do atum, que não é um peixe muito conhecido, mas é delicioso.”
No piso inferior, o Magma, o restaurante principal do hotel, tem um conceito “mais regional”, com receitas da família de Joana ou da família da chef, Vânia Jarimba, também açoriana, e que trabalhou no Mercado da Vila, em Vila Franca do Campo. Como o bolo lêvedo com manteiga de alho e queijo da ilha, os chicharros casados, os sonhos de bacalhau com arroz de tomate (receita da avó materna de Joana) ou o peixe do dia com molho de vilão, típico da ilha.
Em 2027, Joana Damião Melo planeia abrir mais um hotel, a Casa do Barão, um projeto com dez quartos numa antiga casa senhorial com intervenções do histórico arquiteto português Raul Lino, mesmo em frente ao Senhora da Rosa e que ainda se lembra de visitar quando era pequena.
Hotel Senhora da Rosa. Rua Senhora da Rosa 3, Ponta Delgada, São Miguel, Açores. Preços a partir de 110 euros por noite. Restaurante Magma aberto todos os dias, 12.30-15.00 e 19.00-22.30. Mirante Rooftop Bar a funcionar ao jantar de terça a sábado, 19.00-22.00. Reservas: 296 100 900.
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