Desculpe, não há resultados para a sua pesquisa. Tente novamente!
Adicionar evento ao calendário
Se uma inversão súbita do estado do tempo é capaz de lhe estragar o dia, a Ericeira não é para si. Não leve a peito, mas há sítios melhores na sua condição.
No Oeste é preciso ser além das meteorologias para se ser inteiramente feliz, estar disponível para trocar de planos sem ficar emburrado, encontrar relaxamento numa morrinha inesperada e paz no casaquinho de malha que sempre nos acompanha. Assim, cada quarto de hora de puro sol sabe melhor - sabe ao “aqui e agora” da wellness - e uma tarde de calor dá a sensação de férias - ou, como eles dizem, de gratiluz.
A Ericeira é, no Oeste, a vila pitoresca por excelência, habituada a reis e pescadores, a locais sazonais, vindos de outras zonas do país para passar o verão, e a estrangeiros surfistas. É, resumindo, uma vila que sabe receber, mesmo quando o céu está tapado.
Não se prenda ao céu azul que isso é uma minudência. Contente-se com a beleza simples das ruas azul e brancas, um mercado recheado e vivo e, se a sorte estiver consigo, com um pouco de praia. Mas apenas um pouco: há muito mais para fazer (e comer) na Ericeira.
Em 2017 uma tímida pastelaria desta vila de pescadores ganhou destaque na imprensa nacional: os seus pastéis de nata foram coroados os melhores da região da grande Lisboa na Prova do Melhor Pastel de Nata de Lisboa.
Quase dez anos depois, o Pãozinho das Marias, um Solete Guia Repsol, não esqueceu a receita: um recheio com um leve sabor a ovo, não excessivamente doce nem muito aromatizado, e uma massa folhada que conquista só ao ser mirada — firme, cheia de folhas a estalar. Escusado será dizer que um bom pastel de nata tanto se come bem quente como frio e este é um desses raros exemplares que nos faz continuar a acreditar na pastelaria de fabrico próprio.
O ideólogo da receita foi Francisco Duarte, um jovem pasteleiro, filho de uma das sócias, Ilda, com herança na arte do chamado pão de Mafra. A família continua o legado hoje com duas casas na Ericeira: uma mais pequena e recondita, onde têm a produção; outra no centro social da vila, na Praça da República, conhecida entre os locais como Jogo da Bola.
É nesta praça sem trânsito que se juntam os miúdos à solta, que se encontram amigos e vizinhos sem hora agendada e onde se conseguem sempre excelentes sessões de observação de transeuntes.
O Pãozinho das Marias. Praça da República, 15, Ericeira. Todos os dias, das 08h às 20h.
Rua Florêncio Granate 10, Ericeira. Todos os dias, das 8h às 19h.
Na Ericeira o mar não pede licença e, nos dias de maior força, — é como dizem os sábios — não mete medo, mete respeito. Subir a Rua das Furnas dá uma excelente visão disto mesmo. Parece até impossível que, nos dias de calmaria, os pescadores se empoleirem tranquilamente nestas rochas, numas quantas escadas ali cimentadas, ou que namorados se sentem em bancos postos no meio das escarpas para olhar o nada.
Quase ao final da rua, vê-se o restaurante que há 30 anos leva com o mar, o Esplanada das Furnas. Quando Luísa Rodrigues ficou com o espaço, era só uma cabaninha precária com um grelhador, mas rapidamente tirou partido da localização com uma sala panorâmica, tão em cima do mar que diríamos estar a almoçar a bordo.
A grelha primordial manteve-se sempre a inspiração, repleta de peixes desta costa, de Cascais a Peniche. O fogão está aqui só para umas amêijoas à Bulhão Pato, uns percebes destas rochas e, claro, a batatinha cozida. “Eu sempre gostei do mais típico português. Há pessoas que criticam as batatas virem com casca e só com uma salada. Ouvem falar das Furnas e pensam que é um sítio muito fino. Não. É comida portuguesa”, comenta Luísa.
É discutível: um pregado fresquíssimo, amanhado no momento por António, especialista no assunto que nos recebe à entrada, e despinhado na mesa é (na nossa opinião de humildes) um dos momentos mais finos que se podem viver. Sobretudo quando regado pela cuidada garrafeira do Esplanada das Furnas — de Barca Velha a garrafas de guarda do Esporão; de Pêra Manca aos mais frescos e atuais da Bairrada.
Esplanada das Furnas. Rua das Furnas 2, Ericeira. Todos os dias, das 12h às 16h e das 19h às 22h.
Se alguma vez tomou banho nas águas da zona, é possível que se tenha irritado ou tenha fugido de algas a boiar. Ou então, já pegou nelas para fazer uma peruca, um bigode; já chegou a casa com um carregamento delas presas no fato de banho.
Para os comuns banhistas, as algas são uma chatice, mas para Joana Duarte, bióloga marinha e cozinheira e professora em escolas de hotelaria e turismo, as algas são uma fonte inesgotável de fascínio e sabor.
Durante a pandemia começou a interessar-se mais pelas variedades que se encontram nas rochas do Oeste e, depois da catalogação e estudo, criou a Rota das Algas, um programa de passeios por estas praias (cada um com cerca de três horas) que nos leva a repensar tudo que julgamos saber sobre estes organismos. Logo à cabeça, uma revelação: a maioria é comestível, e pode provar-se logo ali, à beira-mar.
Os chefs e clientes de fine dining e restaurantes gastronómicos conhecem já com algumas algas, mas Joana Duarte garante que há muito além da nori e da alface do ar. Há as que parecem tremoços e as que têm um ligeiro picante; há verdes, vermelhas, castanhas. E estas rochas são a sua grande horta. A temporada de 2026 será anunciada em breve, no instagram da Rota das Algas.
O bom pão está no ADN nesta região na mesma medida do mar e do peixe. Foi uma família com experiência na padaria que, em 1963, fundou a Casa Gama, uma loja de bolos secos.
Eram Francisco e Maria Perpétua Gama e criaram receitas de biscoitos de manteiga, queijadas de leite, queques, areias da Ericeira. Tudo isto se guardava (e guarda) nas latas coloridas que forram as paredes da casa — feitas em latoarias da Malveira, onde o ofício florescia na época.
Hoje, além de se provarem os bolos, podem comprar-se bonitas réplicas das mesmas latas, mas nada disto nos deve distrair do que aqui viemos aqui provar: os ouriços da Ericeira. Os do mar são um produto sazonal que traz gastrónomos à vila em março; estes são os da terra e trazem gente todo o ano.
Há dois locais famosos e com receitas bem distintas para os provar — a Casa da Fernanda, que os vende com um topo bem caramelizado, quase estaladiço e bastante doce, e a Casa Gama, onde o açúcar é mais equilibrado e o topo do ouriço tem uma muito saborosa capa de amêndoa. Uma ótima oportunidade para organizar uma prova cega entre dois Soletes Guia Repsol.
Casa Gama. Calçada da Baleia 9, Ericeira. Segunda a sexta, das 9h às 17h45; sábado e domingo, das 9h às 18h45.
Alguns têm a tentação de dizer que o Botão é ao estilo americano, por causa das sandes de pastrami, de pulled pork e outras carnes fumadas (como o surpreendente suculento peru). Não podiam estar mais ao lado. “Dizem que é estilo americano, mas eu nem sabia. O pai da Tani já fazia assim lá no Brasil”, conta Giordano Dal Pozzo sobre a costela que o sogro sempre fez no fogo de chão ou no tambor.
Giordano e Tani começaram a fazer estas carnes fumadas em 2020 na cervejaria Botão, na Baleia, uma povoação perto da Ericeira. Nesta casa à beira da Estrada Nacional conquistaram a clientela com o passa-palavra e um Solete Guia Repsol. Agora abrem um restaurante com as mesmas carnes e cervejas artesanais no centro da vila, na Rua Mendes Leal.
Aqui, o sócio Pedro, que se juntou recentemente à equipa, está muitas vezes ao balcão, a servir os estilos de cerveja produzidos em permanência pelo Botão — a blondie, a APA e a IPA — e outras que vão surgindo nas torneiras como experiências, como uma cerveja fumada para não destoar das carnes.
No menu, acentuam-se as diferenças em relação ao tal estilo americano, até porque Giordano nunca quis imitar nada nem ninguém, só fazer o que melhor puxa pela sua cerveja e pelos seus clientes. Aparece um cogumelo fumado para acompanhar a carne ou as mais escandalosas batatas fritas — cobertas de queijo bacon fumado na casa ou pastrami. Aqui e nas sandes “não há molhos na carne. Assim sente bem os seus sabores”, explica. Para salivar bastam as carnes fumadas e os pãezinhos de água também feitos na casa, bem à moda do pão do Oeste.
Botão. Estrada Nacional 247, 58, Baleia, Mafra. Quinta e Sexta, das 18h às 22h; sábado, das 16h às 22h
R. Mendes Leal 20, Ericeira. Terça a sábado, das 12h30 às 22h.
As praias da Ericeira têm de tudo para toda a gente: para quem gosta de flutuar calmamente sem ondas, para quem gosta de encher a boca de areia num mar picado e até para quem aprecia um paredão cheio de bares e restaurantes.
A Praia dos Pescadores é de todas a mais emblemática e onde o mar tem habitualmente a sua vocação mais familiar. No alto do muro vê-se logo em que estado está o mar e o vento no areal e se estão ou não ocupadas as duas redes de voleibol.
Para a direita, fica a Praia do Norte, de areal mais curto e mar mais batido e com acesso direto ao Clube Naval, aberto toda a tarde e bom para almoçar peixe fresco. Para Sul, sem surpresas, está a Praia do Sul, também conhecida como praia da Baleia. Aí não há que descer uma longa rampa para aceder à praia, entra-se pelo paredão cheio de cafés e esplanadas, junto ao primeiro hotel da Ericeira, atualmente um Vila Galé.
Do miradouro que dá a entrada à Vila, vê-se esta praia e o icónico edifício verde e branco, cheio de ares de outros tempos. Seguindo a estrada de carro para sul, está a praia da Foz do Lizandro, um dos maiores areais da zona com direito a praia fluvial (com quase nenhum leito nos meses quentes). Aqui há que ter mais cuidado com as ondas, a não ser que leve prancha de surf e experiência.
Em geral… como classificaria o site do Guia Repsol?
Dê-nos a sua opinião para que possamos oferecer-lhe uma melhor experiência
Agradecemos a sua ajuda!
Teremos em conta a sua opinião para fazer do Guia Repsol um espaço que mereça um brinde. Saúde!