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Numa primeira impressão, o Praia do Canal Nature Retreat, em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, pode gerar sentimentos contraditórios. Como é que um hotel de 56 quartos, com piscina, ginásio, dois restaurantes e um spa, foi construído numa das zonas mais protegidas – e, felizmente, mais intocadas – do país?
Inaugurado oficialmente em 2023, o hotel, o primeiro cinco estrelas de Aljezur, fica na Herdade Vale dos Polvos, num vale de 220 hectares que desemboca numa praia selvagem e de calhaus, a Praia do Canal, até há pouco um segredo bem guardado pelos pescadores da zona.
Mesmo depois da construção do hotel, o acesso à praia através de um trilho continua difícil e só possível depois de uma caminhada de quase uma hora – e assim se espera que continue. Afinal, a natureza é um dos grandes trunfos desta região, “um Algarve diferente, que não é só sol e mar”, concorda Sofia Gouveia, diretora-geral do hotel. “Esse é o grande luxo.”
O projeto do hotel pensado por João Favila Menezes, do Atelier Bugio, e que lhe valeu uma nomeação para o Prémio de Arquitetura Mies van der Rohe 2023, um dos mais importantes de arquitetura contemporânea, teve isso em conta. A ideia era que a construção fosse de “baixíssimo impacto”, privilegiando o cenário envolvente, e incorporando alguns elementos da natureza, numa estética minimalista.
O resultado: vários edifícios independentes entre si – os maiores, onde fica a receção e o restaurante principal, o Azeitona, e os mais pequenos, dos quartos, mais afastados e com privacidade. Também a construção, em betão armado, ganhou um tom inspirado pelas falésias da zona, para que não destoe do cenário. Até a piscina, encaixada no vale e com camas de pedra dentro de água, se enquadrou naturalmente.
“O que queremos com esta localização é dar [aos hóspedes] o luxo do tempo, dar o luxo do slow living e da autenticidade”, diz Sofia Gouveia, diretora do hotel que é a primeira aventura do grupo Leacock fora da Madeira.
Depois da Quinta da Casa Branca e da Quinta dos Jardins do Lago, no Funchal, o grupo queria investir em Portugal continental. A propriedade “onde já era permitido construir porque havia um edifício abandonado”, explica Sofia Gouveia, foi um achado.
A aposta foi acertada e o turismo de natureza tem assegurado ocupação ao longo de todo o ano, com um número bastante significativo de hóspedes portugueses, que cada vez mais procura um “turismo mais consciente e de luxo”, considera Sofia.
O hotel fica a 15 minutos de carro de Aljezur e das praias das redondezas – a mais conhecida, a da Arrifana –, mas quem quiser pode passar uns dias sem pegar no carro e aproveitar os trilhos ou as atividades do hotel.
Do yoga matinal aos workshops de olaria e empreita, a ideia é também divulgar as tradições locais, com parcerias com habitantes locais. “Muitas vezes o luxo é também voltar ao básico, às raízes, às nossas tradições e costumes”, diz a diretora do hotel.
Também no restaurante principal, o Azeitona, do chef Marcelo Santos, a preocupação é a ligação estreita com os produtos e produtores da região. A começar com o pão servido ao pequeno-almoço, almoço e jantar, uma parceria com a Dozero, uma micro padaria com fermentação natural e farinhas artesanais no Cercal do Alentejo.
Quando aceitou o convite para o projeto, em 2021, Marcelo Santos, natural de Cantanhede, e vindo do Grande Real Villa Italia, em Cascais, “partiu completamente do zero”, diz. “Vim sozinho, não trouxe ninguém e a minha preocupação foi identificar produtos e fornecedores locais”, conta.
Daí que a cozinha do Azeitona seja “100% sazonal”, continua. “A prioridade é o produto e o produtor local, além da sustentabilidade.”
Raquel, fundadora da Dozero com a sua companheira, Rosa, foi a primeira parceria e entrega o pão diretamente no hotel. “Estava habituado a ter o produto na hora ou de um dia para o outro, e aqui é preciso um planeamento semanal, mensal e anual”, diz o chef que também trabalhou com o chef Cyril Devilliers na abertura do The Oitavos — “ele é 100% francês, mas valorizava o produto nacional e local e esta valorização também vem da minha experiência com ele”, reconhece.
Outro dos parceiros é Rui Jerónimo, do Feito no Zambujal, produtor de enchidos, presuntos e derivados de porco preto um pouco mais longe, em Alcoutim, que contribui para pratos como o bacalhau com papada de porco (27 euros).
Mais recentemente, surgiu a parceria com os vinhos Vicentino, ali bem perto, em São Teotónio, a “simbiose perfeita” para o menu mais recente, diz o chef. Na última carta, o marisco e peixe fresco estão em destaque com pratos como a gamba violeta com ajo blanco, amêndoas, uva e malagueta (20 euros), a barriga de atum, noodle de arroz crocante e muxama de atum (24 euros), o polvo com batata-doce de Aljezur (26 euros) ou o arroz de carabineiros (46 euros).
Um dos produtos que o chef descobriu nesta zona foi o medronho. “Nunca tinha trabalhado e temos aqui muitos medronheiros”, diz. “Foi uma surpresa, nunca tinha provado uma melosa, muito típica de Monchique. Mas usamos mais na pastelaria, por exemplo com a compota de medronho do pequeno-almoço.”
Para já, o grande desafio do restaurante tem sido atrair clientes além dos hóspedes do hotel. “Ainda há esse preconceito”, diz o chef. “Mas o nosso objetivo é captar mais passantes. Queremos tornar-nos cada vez mais conhecidos e mais apelativos para quem quer ter uma experiência gastronómica diferente, uma cozinha com paixão e com bom produto.”
Praia do Canal Nature Retreat. Herdade do Vale dos Polvos, Valinhos, Aljezur. Preços a partir de 250 euros/noite. T. 282 242 400. Restaurante Azeitona a funcionar todos os dias, 13h-15h, 19h-22h. Entre abril e outubro só serve jantares.
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