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Não será exagero dizer-se que o Mercado do Livramento, o principal mercado de víveres de Setúbal, é um dos melhores do país. Sendo Setúbal uma cidade portuária, é natural que seja associada a excelente peixe e marisco, e há uma imensa escolha, desde as lulinhas a peixes-espada gigantes. Contudo, é o marisco da zona, menos falado, que surpreende.
“Elas têm três sabores”, disse-nos Susana, que gere Exporsado, uma das bancas do mercado dedicada à venda de ostras vindas do estuário do Sado. “O primeiro é mineral, como as algas; o segundo é sal – da água do mar — e no fim vem um ligeiro adocicado, semelhante ao das vieiras.” Susana abre-nos uma, somos capazes de detectar todos estes sabores e adicionamos mais um item à nossa lista mental de compras de marisco de Setúbal.
O mercado, que celebrou recentemente os seus 145 anos, tem também uma excelente seleção de fruta, especialmente no que toca a pêras e maçãs, como as da vizinha Palmela, a riscadinha DOP, disponível a partir de Junho. Dada a proximidade de Azeitão, zona rica na produção de queijo, há também uma abundância deste produto no mercado – queijo de Azeitão, queijo fresco de ovelha de Azeitão, requeijão de ovelha de Serpa e de Azeitão, queijo de ovelha cura longa – bem como de laticínios mais difíceis de encontrar como é o caso da manteiga de ovelha e de almece (soro de leite das sobras de produção de queijo).
Há ainda uma impressionante e variada seleção de produtos de padaria, incluindo alguns produtos específicos da região, como é o caso dos barquinhos, pequenos doces recheados com uma pasta ligeiramente amarga que provém dos excelentes citrinos da região. “É feito com casca de laranja", conta-nos um vendedor da Padaria e Pastelaria Rita sobre a sobremesa. “É muito intenso, para quem gosta mesmo de laranja!”
Se preferir fazer compras mais exclusivas, dirija-se até à Casa da Baía, a poucas ruas do mercado. É um centro de promoção turística que também alberga os escritórios das Confrarias do Queijo de Azeitão e do Moscatel de Setúbal e um mercado aparentemente escondido: a Loja de Produtos Regional. No pequeno espaço, encontrará vinhos de praticamente todos os produtores de Setúbal, bem como produtos locais que vão desde o famoso sal marinho da região até doces hiper-regionais.
Em 1920 havia 140 fábricas de conserva em Setúbal, tendo a última fechado portas em 1995. Hoje já não há nenhuma, embora algumas marcas tenham sedes na cidade e dependam ainda do marisco apanhado na região. Esta indústria que se perdeu pode ser redescoberta no Museu do Trabalho Michel Giacometti, em homenagem ao etnógrafo italiano que tinha Portugal como tema de estudo.
O espaço, uma antiga fábrica de conservas encerrada em 1971, guarda uma parte da coleção de Giacometti que inclui objetos antigos do quotidiano em Portugal, bem como uma extensa exposição dedicada à indústria conserveira de Setúbal. Há testemunhos fascinantes da mão de obra — em grande parte feminina — descrições passo a passo do processo de conservação e mostras das ferramentas usadas na indústria conserveira, incluindo uma coleção de pedras litográficas utilizadas na impressão de rótulos. O museu alberga ainda todo o interior transplantado de uma mercearia lisboeta do início do século XX.
Os bons velhos tempos do comércio alimentar podem também ser apreciados na Mercearia Confiança de Troino, fundada em 1926. Em 2015, foi renovada e reaberta como uma mercearia pedagógica. “Já não vendemos coisas a granel,” explica Odete, uma das monitoras, esclarecendo que, hoje, o espaço encantadoramente preso no tempo funciona em parte como museu, em parte como café e loja.
Elementos como gavetas de madeira que outrora guardavam arroz, feijão ou farinha, e velhos distribuidores que lembram um posto de gasolina, usados para vender azeite ou outros líquidos a granel, ainda se podem ver. O espaço acolhe também provas de degustação, workshops e outros eventos.
Setúbal é sinónimo de choco e, todos os dias, centenas de pessoas, locais e turistas, cheias de fome, tiram senha e fazem fila para comer choco frito na Casa Santiago (que se autodenomina de “O Rei do Choco Frito”). É, de longe, o destino mais famoso da cidade para se apreciar a iguaria. No entanto, pode evitar filas e entrar na Adega Leo do Petisco (“Leo do Choco Frito”). O restaurante, que celebra 40 anos de existência, serve um choco frito bem temperado, com batatas fritas crocantes e salada generosa. Se isto não for suficiente, às quartas é dia de feijoada de choco.
Para mais uma viagem ao passado culinário de Setúbal, considere uma visita à Taberna do Fernando dos Jornais. Alegadamente fundada há 112 anos, a atual proprietária, Conceição Paixão, está à frente do balcão há 42 anos. Trata-se de uma taberna no sentido mais verdadeiro do termo, e as opções de comida são simples: marisco enlatado, fatias de presunto ou queijo e alguns pastéis de bacalhau conceituados.
“Dizem que é o melhor pastel de Setúbal”, conta-nos Conceição, acrescentando que, no passado, o menu incluía amêndoas torradas, ovos cozidos, favas fritas e queijo fresco. Descrevendo como pescadores e estivadores costumavam vir beber à taberna a qualquer hora, lamenta: “Antigamente, todos trabalhavam no mar; esse Setúbal já não existe.”
Poderá até ser que hoje em dia poucos locais trabalhem no mar, mas o marisco continua a desempenhar um papel importante na cena gastronómica de Setúbal. Restaurantes como a Casa Morena, O Nau e o Verde Branco gozam todos de excelente reputação pelo peixe e marisco grelhado. Na proa de todos, vai O Batareo.
Aberto há já 25 anos, o ambiente é quase o de uma peixaria. Ao entrar, o proprietário, João Valente, ajuda-nos a escolher o peixe na montra de vidro, pesa-o e depois entrega-o ao colega José, que o prepara e grelha mesmo à frente do restaurante.
O Batareo é muito apreciado pelas suas vieiras, chocos e ventresca de atum grelhados e, sempre que está na época, pelo salmonete, que aqui é preparado de forma única. O peixe é aberto ao meio, o fígado gordo é retirado, esmagado e espalhado pelo interior do peixe antes de ser grelhado sobre brasas.
O resultado confere ao peixe uma riqueza quase semelhante à do toucinho. “Não conheço mais nenhum sítio que faça isto com o fígado”, responde José, o cozinheiro da grelha, quando lhe perguntamos se a técnica é específica de Setúbal ou uma invenção do restaurante.
O restaurante serve uma “cozinha italiana moderna e rústica”, segundo Eusebiu Tuchilus, italiano, e o espaço descontraído, com um ambiente DIY, acolhe também pop-ups, colaborações e eventos com DJ. “Parte do conceito é apresentar coisas novas a Setúbal”, diz Lovejoy Ramos, a filipino-americana.
O menu pequeno – que inclui massa fresca feita diariamente no próprio restaurante – é claramente italiano, mas a ênfase em produtos de Setúbal e a apresentação colorida fazem o Calma Calma destacar-se.
O restaurante tem estado cheio desde o primeiro dia. “Neste momento, somos os primeiros a fazer algo realmente fixe em Setúbal. E queremos inspirar outros a fazer o mesmo”, conta-nos Tuchilus. “Sente-se no ar que mais coisas virão.”
Este artigo foi traduzido por Raquel Dias
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