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Quando o Ofício (Restaurante Guia Repsol desde 2025) nasceu, a turistificação da Baixa de Lisboa estava em marcha. Em 2018 não havia dúvidas de que a mistura de línguas à procura do Elevador da Gloria e da livraria mais antiga do mundo tinha vindo para ficar, só não era ainda uma noção generalizada que os portugueses iam desistir desta zona nobre da cidade.
Em 2018, abria, na Rua Nova da Trindade, o Ofício, um restaurante dedicado às carnes portugueses que ficou famoso em pouco tempo pelo seu chambão com osso que alimentava cinco. Habitualmente cinco locais à procura de uma comida portuguesa numa ambiente mais polido do que o de uma tasca. Muita coisa mudou na Baixa, no Chiado, nesta rua — e no Ofício também: está noutra porta da mesma rua e nos últimos oito anos passou por fazes mais criativas e autorais, talvez intimidatórias para algum público. Agora quer voltar ao conforto de uma “cozinha portuguesa bem feita” e contemporânea.
Depois de ter na cozinha chefs como Gonçalo Moreno (2019) ou Hugo Candeias (entre 2021 e 2025), para esta nova fase o grupo Paradigma, que detém o restaurante, chamou Maurício Varela, um fã de bistros, de restaurantes com acento na hospitalidade e de cozinhas sem extravagâncias — simplesmente muito bem executadas, diz.
“Não é português com um twist, é cozinha portuguesa de outro ângulo. Cozinha portuguesa em 2026. Aquilo que o Diogo procurava era alinhado com aquilo que eu queria fazer”, conta sobre o início do ano quando conversou pela primeira vez com Diogo Figueiredo, CEO do grupo.
“O Ofício foi o nosso laboratório”, analisa Diogo, “aquele que começou o grupo e agora tinha uma ideia muito clara do que queria para aqui. Sendo o nosso restaurante leme, queríamos atualizá-lo: trazer a cozinha para dentro da sala, trazer uma lógica de conforto com lado técnico”.
Na prática, há agora uma barra à entrada do restaurante, com vista para a zona da cozinha onde se finalizam os pratos, um bom sítio para petiscar alguma coisa antes do jantar ou depois. Um certo formalismo que havia da versão anterior do Ofício e que acompanhava a sua cozinha autoral também foi substituído pela eternamente acolhedora toalha de mesa branca, pelas madeiras, por doses mais generosas. “Queremos que haja liberdade para um cunho pessoal ao servir”, resume Diogo Figueiredo.
Na carta também há a proximidade e o à-vontade que pratos como um franguinho de churrasco com molho piri-piri ou um arroz malandrinho (no caso, com línguas de bacalhau) sempre permitem. É em pratos como este ou como o cozido de grão com presa de porco alentejano que se vê a tal cozinha portuguesa que Maurício Varela deseja fazer bem feita.
Noutros pratos em que põe um croquete de alheira numa sandes e ficamos com uma espécie de club sandwich à Ofício (um ótimo lanchinho), em que serve um milho frito com um estufado de nabo ou em que apresenta cru um peixe tão português como o carapau percebemos melhor o que quer dizer com “cozinha portuguesa feita em 2026”.
“Em Londres, no ano passado, fui a um restaurante que me tocou como nenhum me tocava há muito: um bistro francês sem devaneios, onde se executa bem a tradição. Era isso que queria fazer. Quis olhar para o território e para pratos que me tocaram na vida e juntar-lhes por vezes técnicas japonesas ou francesas para melhorar a cozinha portuguesa”, resume este menu que, de facto, termina com este triângulo de países: pêra bêbeda em espumante com amêndoa e creme de chocolate branco e sake e uma tarte de chocolate, caramelo salgado e nata batida com Moscatel.
Das cartas passadas do Ofício não resta, portanto, nada. É um recomeço e, para Diogo Figueiredo, a filosofia deste restaurante continua a ser dar espaço para o chef evoluir e mostrar a sua identidade. O grupo Paradigma tem restaurantes como o novo Lamina, o Canalha (1 Sol Guia Repsol) e adquiriu, nos últimos anos, espaços que deixaram anteriormente lastro na cidade como o Café do Paço (Restaurante Guia Repsol) ou o Isco (Solete). “O que gostamos de ter são projetos que sejam timeless e queremos cozinheiros que nos cheguem com ideias para nós podermos dar condições de negócio”, diz Diogo Figueiredo.
Para já, no Ofício, a intemporalidade não se vai construindo a partir de um único prato, sempre fiável, como num Café do Paço, mas sim numa atenção às tendências da restauração e numa provada capacidade de continuar sempre a mudar.
Ofício. Rua Nova da Trindade, 11K, Lisboa. De segunda a domingo, das 18h00 às 00h00. 910 456 440
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