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O verão é tempo de praia, melancia e salada de pimentos, gelados e caracóis. Mas também é tudo isto nos intervalos entre os festivais que se têm multiplicado um pouco por toda a parte.
Cada um com a sua personalidade, a apelar a um público específico, instalados geograficamente em territórios diversos. À volta de todos estes eventos há coisas para ver e iguarias para descobrir. Para que não lhe falte nada, mesmo quando lhe parece que já tem tudo menos tempo, eis que deixamos dicas valiosas.
Um dos aspetos mais interessantes deste festival — que é uma sequência de concertos individuais em dias diferentes e não uma feira musical em duas ou três datas seguidas — é o nome. Porque tem muito pouco jazz, isto quando sequer o tem (este ano, o género é o protagonista no dia em que atua Diana Krall), mas é sempre bastante cool. E por cool entenda-se “classicamente moderno” ou “contemporaneamente adulto”.
Este ano, o Ageas Cool Jazz, de 8 a 31 de julho, vai de David Byrne a Chet Faker, de Gilberto Gil a Jamiroquai. Não é uma festa jovem como outros eventos do género, mas tem o seu lado de juventude em marcha pela idade fora. O que cai bem com a zona, aquele lado de Cascais onde ficam os museus, da Casa das Histórias à Fundação D.Luís I. As exposições são sempre classicamente desafiantes. Tal como o festival. Vá mais cedo e aproveite-as.
Casa das Histórias: Av. da República 300, 2750-475 Cascais. Telefone: 214 826 970. De terça a domingo, das 10h às 18h.
Fundação D. Luís I: Av. Rei Humberto II de Itália, 2750-642 Cascais. Telefone: 214 815 660. De terça a domingo, das 10h às 18h.
Foi em 2004 que os Expensive Soul, banda nortenha dedicada às coisas do funk, do R&B e do hip hop, se chegou à frente para afirmar que Leça da Palmeira é a terra mais bonita de Portugal. Opiniões à parte, não sabemos se foi isso que levou a organização do festival MEO Marés, de 17 a 19 de julho, a levar o evento a trocar Gaia pela localidade que pertence a Matosinhos. Sabemos é que quem tem bilhete, para ver concertos de gente ilustre como Calema, Seal, James, Da Weasel ou Plutonio, não tem necessariamente de antecipar a noite como uma ida à praia, que a costa convida (assim a nortada permita).
Pode, em vez disso, ir à Piscina das Marés, que é um híbrido sedutor e tem o desenho de Siza Vieira. Quanto ao pós-concertos, na manhã seguinte, é experimentar a Confeitaria Leça e descobrir como é que se combate a ressaca com classe.
Piscinas das Marés: Av. da Liberdade, 4450-790 Leça da Palmeira. Telefone: 229 364 090. Todos os dias, das 09h às 19h.
Confeitaria Leça: Rua General Humberto Delgado 53, 4450-337 Leça da Palmeira. Telefone: 229 951 680. Todos os dias, das 07h às 20h.
Podíamos fazer aqui o elogio da costa norte como um todo, habituada que está a ser ignorada em dias veraneantes por um sul mais quente, menos ventoso e com águas mais convidativas. Podíamos elencar restaurantes onde o festival acontece na viagem que vai do prato ao palato, evento para ficar inscrito na memória das coisas boas (literalmente). Podíamos (e devíamos) aplaudir um cartaz único no país, feito de stoner rock, psicadelismos, pesos pesados e outros derivados das melhores garagens underground do mundo do rock’n’roll. Mas atentem nisto: o Sonic Blast, de 6 a 8 de agosto, acontece nas Dunas do Caldeirão, uma maravilha natural de valor próprio e intransmissível. Entre concertos e comezainas, importa apreciar o encanto da paisagem, guardar memórias e contar a quem não esteve.
A argumentação de que este é o festival que traça um perfil atual, verdadeiro e consistente do atual panorama da música popular portuguesa é das mais certeiras que já vimos. Daí que seja prova de lucidez arrancar este parágrafo com tal frase. Mas também podemos afirmar, com a mesma medida de validade, que o Bons Sons, de 6 a 9 de agosto, tem no cenário que o acolhe o verdadeiro festival.
Cem Soldos é a aldeia perto de Tomar onde os próprios habitantes fizeram acontecer. Portanto, viver esta localidade, a respetiva história e as suas gentes é a melhor experiência que se podia desejar. Dito isso, uma reserva no Chico Elias, Restaurante Guia Repsol, precisamente em Tomar, para que o bacalhau com carne possa ir ao forno a lenha com tempo e voltar repleto de felicidade.
Chico Elias: Rua Conde de Tomar 92A, 2300-302 Tomar. Telefone: 249 311 067. Sexta e domingo, das 12h30 às 16h. Sábado, das 12h30 às 23h.
É provável que o festivaleiro que se entregue aos encantos musicais do Vodafone Paredes de Coura, de 12 a 15 de agosto, acabe seduzido na mesma medida pela beleza natural que rodeia os palcos. Ora quer isto dizer que, na prática, o visitante não vai estar entusiasmado com grandes passeios ou até pequenos desvios ao plano que leva para o Alto Minho: a vénia à melhor música alternativa do momento, banhada pelas águas frias mas quase abençoadas do rio Taboão.
Dito isso, e porque há sempre quem esteja pronto a desafiar as expectativas, ficam duas sugestões: a mais alargada dá conta de uma escapada até terras galegas, o que permite pelo caminho a fruição dessa maravilha que é o rio Minho. A outra é uma reserva no Albergaria, onde a carne espanta sempre, mas a quem já a conhece.
Albergaria: Rua Dr. Narciso Alves da Cunha, 4940-538 Paredes de Coura. Telefone: 251 782 450. Todos os dias, das 11h às 23h.
Vemo-nos forçados a perguntar “como é que passámos tantos anos de existência festivaleira em Portugal sem estes quatro dias”? Porque, convenhamos, isto é um fim de semana grande à espera de acontecer, é um feriado intenso e extenso, numa terra que de facto nasceu para isto: farra de verão. O Sol da Caparica está lá o ano inteiro (está mesmo), mas em formato festival, de 13 a 16 de agosto, é coisa que se aproveita num intervalo curto mas dado a boas memórias.
Tem Sara Correia e tem Papillon, tem Slow J e tem Quim Barreiros. Vai a todas e quem lá vai deve fazer o mesmo. Que vá da Trafaria (dos encantos do Restaurante Guia Repsol Casa Ideal, ou da Taberna Manuel da Gorda) aos mergulhos na praia da vila, mais um lanche no Solete Guia Repsol Pastelaria Santo António, tudo prontíssimo para o baile.
Casa Ideal: Rua Tenente Maia 22, 2825-863 Trafaria. Telefone: 212 950 898. De quarta a domingo, das 12h às 15h30 e das 19h às 22h30. Segundas das 12h às 15h30. Fecha às terças.
Taberna Manuel da Gorda: Rua Gago Coutinho 20, 2825-861 Trafaria. Telefone: 218 021 173. De terça a sábado, das 12h às 15h e das 19h30 às 23h. Fecha ao domingo e à segunda.
Pastelaria Santo António: Av. Afonso Albuquerque, 227, Costa de Caparica. Telefone: 212900065. Todos os dias, das 7h às 20h.
Um dos aspetos mais fascinantes dos festivais de verão está na oposição “onde se começa”/”onde se acaba”. Tomemos como exemplo o que pode acontecer no Festival do Crato, de 26 a 29 de agosto, que acontece anualmente na localidade alentejana com o mesmo nome: pode começar nos Delfins e acabar no Buba Espinho; pode ir de Calum Scott a Soraia Ramos; ou fazer o caminho de que vai de Bispo aos Karetus.
Mas na geografia, e já que está por ali, também pode ir até Monforte via Portalegre, pode ir de visita às ruínas romanas passando pelo casario branco que presta vénia à serra de São Mamede. Ou pode até ficar pelo Tombalobos quando queria era passar por Vaiamonte e sentar-se no Tintos e Petiscos. Enfim, escolhas.
Tombalobos: Rua 19 de junho 2, 7300-126 Portalegre. Telefone: 245 906 111. De quarta a sábado, das 12h às 15h e das 19h às 22h. Domingos, das 12h às 15h. Fecha às segundas e terças.
Tintos e Petiscos: Rua 25 de Abril 6, 7450-286 Vaiamonte. Telefone: 960 248 138. De terça a sábado, das 12h às 15h e das 19h às 22h. Domingos, das 12h às 15h. Fecha às segundas.
Já ninguém contava com isto: fim de agosto, último fim de semana do chamado “verão útil”, aquele derradeiro cheiro a férias, e de repente, eis que surge um festival. Aconteceu há poucos anos, com uma experiência de mudança de calendário pelo meio. Não vale a pena: o Kalorama, de 28 a 30 de agosto, é uma espécie de despedida, mas feita com carinho, daí que traga nomes mais do que pesados: Robbie Williams, Grace Jones, Lauryn Hill, Black Star, Deftones, Turnstile… chega a cansar. Mas depois, vai-se a ver e não cansa.
O Parque da Bela Vista, em Lisboa, tem a vantagem de nos levar abaixo e acima, incentivando o ritmo. É só uma questão de aproveitar e seguir caminho, nomeadamente no domingo de manhã, até ali ao início da tarde. Se é para dizer adeus, que seja em grande: nada como ir à Feira do Relógio, perto, pertíssimo, e um dos melhores festivais semanais e permanentes da cidade.
Feira do Relógio: Av. Santo Condestável WC, 1950-011 Lisboa. Domingos, das 8h à 13h.
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