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Pelo segundo ano, a Trafaria é palco de uma festa de verão dedicada ao peixe e marisco, que junta os restaurantes locais e concertos a uma vista única sobre o Tejo. Este fim-de-semana, 29 e 30 de Agosto, uma grande mesa partilhada ocupa a faixa ribeirinha da vila piscatória com vista para Lisboa com chefs convidados, restaurantes do Guia Repsol e comércio local. Mas até chegar a hora de jantar, há muito para fazer e descobrir na Trafaria.
O evento é de entrada gratuita (os bilhetes podem ser levantados aqui) e tem início pelas 16 horas, com pratos que casam bem com o cenário, como sopas de peixe e camarão, pataniscas de bacalhau, sopa de amêijoas, hot dog de polvo, nigiri de sardinha, prego de atum e ostras, preparados por restaurantes como Myra Ostraria, Taberna do Mar (Restaurante Guia Repsol), Taberna Zé da Lídia e Casa Ideal (Restaurante Guia Repsol), ou pelos chefs convidados Matheus Santos e André Cabrita.
Numa festa da Trafaria não faltam, naturalmente, sardinhas assadas na brasa (preparadas pela Marcha da Trafaria), nem música. O festival gastronómico organizado pela Ode Studio conta com atuações de Marta San, Tropi Caustica, Jam do Pika, Gabriela Gonçalves e Selecta Alice num palco junto ao rio.
Além de ter presentes restaurantes com o seu selo de qualidade, o Guia Repsol vai também dar outra energia a estes dias: será possível carregar telemóveis num espaço dedicado do Guia Repsol.
Na segunda edição deste festival, começa a mostrar-se a Trafaria como um segredo do Tejo que muitos ainda não desbravaram. Mas não nos fiquemos pelos fins de tarde de dia 29 e 30 de Agosto, porque o Trafaria na Brasa é um lembrete de que há muito para fazer nesta vila piscatória do Tejo.
Esta é para quem parte de Lisboa — não se sinta triste se não é o seu caso, pode sempre aproveitar o ferry para dar um pulo à capital. É que esta é, provavelmente, a forma mais imediata e barata de dar um passeio de barco pelo Tejo. E a beleza que isso é.
Vindos de Lisboa, o mais rápido (e nem se fale do alívio que é não ter de estacionar) é mesmo apanhar o barco em Belém. A viagem dura uns 25 minutos, com uma paragem em Porto Brandão e, para quem não a tem de fazer na rotina do dia-a-dia, oferece uma outra visão sobre o rio e as duas margens, a ponte sobre o Tejo, o Maat e a Fábrica da Eletricidade e, claro, a praia da Trafaria, com todos os seus coloridos barquinhos de pesca.
É um curioso areal para fazer-se praia, como haverá poucos no país e quiçá no mundo. De um lado o rio e a icónica Torre de Algés, tão a inclinar-se para a água como nós em dias de 30 graus à sombra; do outro, o mar e o farol do Bugio.
A Cova do Vapor está mesmo na foz no Tejo, tem a linha de Cascais à frente, na outra margem, e a benesse de não ser uma das mais concorridas da Costa de Caparica. Era, até há pouco, um segredinho dos que a sabiam toda. Hoje talvez não se possa já dizê-lo assim, mas passará com certeza uma manhã mais calma do que entre as colónias de férias da praia da Rainha ou os surfistas da praia do Barbas.
Para muitos, a saída da praia pede peixe grelhado. A Casa Ideal (Restaurante Guia Repsol) parece ter-se batizado para esses. A gerência familiar é mestre no carvão e garante sempre o peixe fresco desta costa — seja com pregados ou mais modestas sardinhas.
Para os devotos do peixe grelhado, o problema aqui são as alternativas— uma tentação. Dizer não a uns filetes de tamboril ou de peixe galo é pecado, ainda por cima sequíssimos como estes, e a um arroz de garoupa é praticamente criminoso. Numa das pequenas ruas da vila, peça uma mesa na esplanada ou na sala pequenina e tente não ter muitos compromissos agendados para ter tempo de digerir todas estas oportunidades.
Casa Ideal. R. Ten. Maia 22, 2825-863 Trafaria. Quarta a domingo, das 12h às 15h30 e das 19h às 22h30; segunda das 12h às 15h30. Tel. 21 295 0898.
Maria Rosa começou este negócio pelo marisco, quando o que vendia aqui era apanhado uns quilómetros à frente, no Tejo. Hoje, é melhor (por muitas razões) dar pausa aos mariscos do rio, mas o cenário da Taberna continua a ser digno de ser aproveitado. A esplanada está virada para o Lisboa e para a praia da Trafaria.
À mesa servem-se pratos a condizer, com destaque para a sopa de peixe ou a massada de peixe e marisco — duas versões apenas ligeiramente diferentes da mesma ideia: um caldo saboroso de peixe e marisco, com bons pedaços dos mesmos e massinhas cotovelo.
A Taberna. Av. Gen Moutinho 17, 2825-870 Trafaria. De terça a sábado, das 12h às 15h30 e das 19h às 21h30; domingo, das 12h às 15h30. Tel. 21 294 4387
Se aprecia a nobre atividade de desmoer esta é essencial: uma caminhada com uma subida a condizer a um dos fortes militares da Trafaria — o da Alpena ou o da Raposeira. Não é essencial que o faça a pé — coisa para demorar uns 40 minutos —, porque não é só o passeio que vale a pena. A vista é a recompensa.
Estes são dois vestígios da velha linha de defesa de Lisboa e datam do século XIX. Chegaram a ser atualizados durante a Primeira Guerra Mundial e o Forte da Alpena conta com uns quantos canhões dos anos 1940. Mas tudo isto foi desativado nos anos 1980.
Tudo, menos a vista. Além de uma vista panorâmica sobre a costa, as duas fortificações são também uma espécie de galeria de arte urbana com pouca curadoria — uma experiência interessante para os caçadores de lugares abandonados.
Um areal pequeno, um rio liso pontilhado de barcos às cores; ao fundo Lisboa e pelo meio gruas gigantes que dão a esta vista um traço ainda mais original. A vista da praia da Trafaria é provavelmente uma das mais bonitas (mas também insólitas) sobre Lisboa e à hora do pôr-do-sol leva pontos extra.
Se é um daqueles fanáticos do pôr do sol que anda atrás das suas melhores localizações e até bate palmas quando o vê acontecer, não é preciso dizer mais nada. No entanto, se é daqueles que torce o nariz e acha que quem viu um, viu todos, dê uma oportunidade. Anote a hora a que acontece, chegue um bocadinho mais cedo, como se faz com os grandes eventos, e aproveite este espetáculo cheio de detalhes e cores. É praticamente um pinturinha.
Nunca diga nunca a um peixe amado pelos tachos dos pescadores. Se já se desiludiu com a raia noutras ocasiões, volte a tentar — até porque é um peixe com pouca margem para erro. A carne é sedosa, quando no ponto, e até pode satisfazer quem gosta de peixes mais firmes se cozinhada um pouco além. De bónus, não tem espinhas, tem só umas cartilagens que não engasgam ninguém.
Na Taberna do Zé da Lídia, Sara Pimentel começou a fazê-la de caldeirada, como era hábito entre os pescadores da zona e tornou-se um prato reconhecido da casa. Também lhe chama ensopado, provavelmente pela fatia de pão de fica um mimo no fundo do prato, antes de servir as primeiras colheradas.
Taberna do Zé da Lídia. R. Jaime Artur Costa Pinto 12, 2825-415 Trafaria. De quinta a terça, das 12h às 15h e das 19h30 às 22h30. Tel. 21 291 3000
Estaria mais certo chamar-lhe Antigo Casino da Trafaria ou Recreios Desportivos da Trafaria (RDT), o nome da associação sediada neste espaço e que se ocupa da sua programação.
O edifício de 1906 continua uma lembrança das décadas em que a Trafaria foi a estância balnear da nobreza e endinheirados lisboetas. Aqui chegavam de barco para usufruir de uma praia de areal mais extenso do que aquele que vemos hoje, uma vez que não existia este carácter industrial da vila. O Casino era um negócio praticamente essencial ao veraneio.
Com a decadência do destino turístico, o edifício foi ocupado, nos anos 1940, pela associação recreativa que ainda hoje reúne aqui os habitantes da Trafaria. A programação faz-se de concertos e peças de teatro e não é diária — consulte-a no instagram da RDT.
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