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Filipe Ramalho vai logo dizendo que não é chefe de cozinha. “Sou taberneiro”, solta em tom de brincadeira, sorriso na cara. Tem uma certa razão, sabendo-se o percurso deste alentejano de Reguengos de Monsaraz. Filipe trabalhou com Joaquim Saragga Leal na Taberna Sal Grosso e no Salmoura, ambos em Alfama, antes ainda desta onda de tascas modernas que pontuam as ruas de Lisboa.
“Sempre gostei de comer, da partilha em casa, de receber pessoas”, diz o proprietário e anfitrião do Copo Largo (Restaurante Guia Repsol). O restaurante na Rua de São Bento, já a chegar ao Rato, reflete essa maneira de estar. A base são os sabores tradicionais portugueses, trabalhados com algumas adaptações.
O convite para tomar conta do Vieira Café veio do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, na vizinha Praça das Amoreiras. A ementa da cafetaria do museu segue a batuta do Copo Largo, mas não repete as mesmas receitas e tem o bónus de nos podermos sentar na esplanada que fica em frente, junto a um dos jardins mais bonitos da cidade.
Aliás, ninguém hesita quando a pergunta é “quer ir lá para fora ou ficar cá dentro?” – o “dentro” aqui é uma sala pequena com algumas mesas e três bancos altos ao balcão.
Alguns pratos mantêm-se fixos na ardósia escrita a giz: camarão à Vieira, uma reinterpretação do camarão à guilho terminada no forno, frango de fricassé com gnocchi envoltos num molho guloso de limão, e coração de alface selado, queijo de cabra alentejano e molho xo de pão crocante.
Outras sugestões vão surgindo consoante os ingredientes da época, disponíveis no Mercado da Ribeira, onde fazem as compras, como é o caso da tomatada com alecrim, servida num pão achatado feito na frigideira e ovo estrelado, ou do gaspacho, uma base de tomate passado com bocadinhos de bacon, ovo picadinho e orégãos.
Márcio Silva, que faz parte da equipa do Copo Largo, está agora responsável pela cozinha do Vieira Café. É ele que nos explica que os arancini de pato (uma estreia na ementa) levam uma maionese de laranja, queijo mozzarela, mel com pipipiri e um crumble de chouriço e paprika. “Estou sempre a experimentar”, confessa.
Foi assim que Márcio magicou a receita da mousse de chocolate branco, erva-príncipe e nectarina. A sobremesa, estreada na edição do festival Chefs on Fire em Aveiro, em julho passado, apresenta-se aqui com um crumble de miso, em vez de uma rabanada.
De quarta a domingo, têm sempre petiscos. A bifana no pão, à maneira de Vendas Novas, com a carne frita em banha de porco e o pão de lenha embebido no molho da fritura, merece todos os elogios. O pastel de massa tenra recheado com frango e molho de leitão, e o croquete de chambão em brioche e pickle de grãos de mostarda servem de tira-gosto ou de refeição, quando seguidos de uma sopa, por exemplo.
Os preços variam entre os 3 euros e os 9 euros (a exceção é o frango de fricassé, €13). Para beber, há limonada (€2,50, copo), sangria (€15, 1 litro), imperial e cerveja artesanal.
Filipe Ramalho quer que o Vieira Café by Copo Largo seja um ponto de encontro na cidade. “Mesmo quem mora aqui à volta, pensa que a cafetaria do museu é só para tomar um café”. Entre as 15h e as 18h, há uma happy hour – uma cerveja com um croquete ou um pastel de bacalhau custa 3 euros –, e à sexta e sábado estendem o horário até às 21 horas. Por marcação, fazem jantares para grupos (mínimo 10 pessoas).
Durante este verão, já serviram caracóis, moelas, filetes de sardinha braseada, ostras, tártaros de novilho e de vieiras na esplanada. E vão continuar. “Não competimos com o quiosque do jardim, que tem outro tipo de oferta”, lembra Filipe, pondo a hipótese de convidar outros chefes para virem cozinhar ao Vieira Café. Ideias não lhe faltam.
Vieira Café by Copo Largo. Praça das Amoreiras, 56, Lisboa. Quarta a domingo, 10h às 19h, sexta e sábado até às 21h. Jantar por marcação (mínimo 10 pessoas). T. 912 717 470
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