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Um almoço à taberneiro no museu? No Arpad Szenes, a cafetaria não é só para um café

Cafetarias de museus em Lisboa

Um almoço à taberneiro no museu? No Arpad Szenes, a cafetaria não é só para um café

Atualizada: 31/08/2026

Texto: Inês Belo

Fotografia: Ana Brígida

O restaurante Copo Largo, uma das tabernas modernas de Lisboa, está a tomar conta da cafetaria do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva. O resultado é o Vieira Café by Copo Largo, com os clássicos portugueses retrabalhados e esplanada no jardim das Amoreiras.
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Filipe Ramalho vai logo dizendo que não é chefe de cozinha. “Sou taberneiro”, solta em tom de brincadeira, sorriso na cara. Tem uma certa razão, sabendo-se o percurso deste alentejano de Reguengos de Monsaraz. Filipe trabalhou com Joaquim Saragga Leal na Taberna Sal Grosso e no Salmoura, ambos em Alfama, antes ainda desta onda de tascas modernas que pontuam as ruas de Lisboa.

“Sempre gostei de comer, da partilha em casa, de receber pessoas”, diz o proprietário e anfitrião do Copo Largo (Restaurante Guia Repsol). O restaurante na Rua de São Bento, já a chegar ao Rato, reflete essa maneira de estar. A base são os sabores tradicionais portugueses, trabalhados com algumas adaptações.

O convite para tomar conta do Vieira Café veio do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, na vizinha Praça das Amoreiras. A ementa da cafetaria do museu segue a batuta do Copo Largo, mas não repete as mesmas receitas e tem o bónus de nos podermos sentar na esplanada que fica em frente, junto a um dos jardins mais bonitos da cidade.

Os croquetes de chambão são um dos salgados do Vieira Café
Os croquetes de chambão são um dos salgados do Vieira Café

Aliás, ninguém hesita quando a pergunta é “quer ir lá para fora ou ficar cá dentro?” – o “dentro” aqui é uma sala pequena com algumas mesas e três bancos altos ao balcão.

Tomate o verão todo

Alguns pratos mantêm-se fixos na ardósia escrita a giz: camarão à Vieira, uma reinterpretação do camarão à guilho terminada no forno, frango de fricassé com gnocchi envoltos num molho guloso de limão, e coração de alface selado, queijo de cabra alentejano e molho xo de pão crocante.

Outras sugestões vão surgindo consoante os ingredientes da época, disponíveis no Mercado da Ribeira, onde fazem as compras, como é o caso da tomatada com alecrim, servida num pão achatado feito na frigideira e ovo estrelado, ou do gaspacho, uma base de tomate passado com bocadinhos de bacon, ovo picadinho e orégãos.

Filipe Ramalho é o taberneiro dono do Copo Largo 
Filipe Ramalho é o taberneiro dono do Copo Largo 
Márcio é o autor de muitas das mais experimentais receitas
Márcio é o autor de muitas das mais experimentais receitas

Márcio Silva, que faz parte da equipa do Copo Largo, está agora responsável pela cozinha do Vieira Café. É ele que nos explica que os arancini de pato (uma estreia na ementa) levam uma maionese de laranja, queijo mozzarela, mel com pipipiri e um crumble de chouriço e paprika. “Estou sempre a experimentar”, confessa.

Foi assim que Márcio magicou a receita da mousse de chocolate branco, erva-príncipe e nectarina. A sobremesa, estreada na edição do festival Chefs on Fire em Aveiro, em julho passado, apresenta-se aqui com um crumble de miso, em vez de uma rabanada.

De quarta a domingo, têm sempre petiscos. A bifana no pão, à maneira de Vendas Novas, com a carne frita em banha de porco e o pão de lenha embebido no molho da fritura, merece todos os elogios. O pastel de massa tenra recheado com frango e molho de leitão, e o croquete de chambão em brioche e pickle de grãos de mostarda servem de tira-gosto ou de refeição, quando seguidos de uma sopa, por exemplo.

O pastel de massa tenra de frango e molho de leitão é um dos petiscos no Museu da Fundação Arpad Szenes
O pastel de massa tenra de frango e molho de leitão é um dos petiscos no Museu da Fundação Arpad Szenes

Os preços variam entre os 3 euros e os 9 euros (a exceção é o frango de fricassé, €13). Para beber, há limonada (€2,50, copo), sangria (€15, 1 litro), imperial e cerveja artesanal.

Petiscos na esplanada e happy hour

Filipe Ramalho quer que o Vieira Café by Copo Largo seja um ponto de encontro na cidade. “Mesmo quem mora aqui à volta, pensa que a cafetaria do museu é só para tomar um café”. Entre as 15h e as 18h, há uma happy hour – uma cerveja com um croquete ou um pastel de bacalhau custa 3 euros –, e à sexta e sábado estendem o horário até às 21 horas. Por marcação, fazem jantares para grupos (mínimo 10 pessoas).

O frango de fricassé com gnocchi é um dos bons pratos do dia para comer no jardim das Amoreiras
O frango de fricassé com gnocchi é um dos bons pratos do dia para comer no jardim das Amoreiras

Durante este verão, já serviram caracóis, moelas, filetes de sardinha braseada, ostras, tártaros de novilho e de vieiras na esplanada. E vão continuar. “Não competimos com o quiosque do jardim, que tem outro tipo de oferta”, lembra Filipe, pondo a hipótese de convidar outros chefes para virem cozinhar ao Vieira Café. Ideias não lhe faltam.

Vieira Café by Copo Largo. Praça das Amoreiras, 56, Lisboa. Quarta a domingo, 10h às 19h, sexta e sábado até às 21h. Jantar por marcação (mínimo 10 pessoas). T. 912 717 470