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Na primavera de 2025, Tomás e Miguel abriram juntos o Poke Market (Solete no Guia Repsol), no Mercado de Olhão, e logo ali ao lado do restaurante encontramos a culpada disto tudo — a imensa Ria Formosa. Um é sushiman, o outro produtor de ostras. Ambos conhecem este território como poucos e foi nas madrugadas de pesca, nas longas conversas no barco e na partilha de um peixe ou de uma ostra acabada de apanhar, que nasceu esta amizade.
Chinelos, boné, calções e T-shirt servem de farda e marcam a informalidade do projecto, que vive do à vontade que só existe entre amigos: música, paredes preenchidas com memórias de viagens e referências ao mar. Lá fora, na esplanada, há sempre um amigo para cumprimentar. Estão em casa.
A inspiração surgiu durante uma viagem ao Havai, onde Miguel comia poke todos os dias depois de surfar. “Sabia-me bem aquela refeição leve e fresca. Desde então, fiquei com essa ideia.” O poke nasceu quando os pescadores havaianos começaram a aproveitar o peixe fresco e cru. Cortavam-no em cubos, temperavam-no com sal e algas e acrescentavam ingredientes que tinham à mão. Foi precisamente esse o conceito que Tomás e Miguel seguiram.
“Poke bowls preparadas na hora, com arroz, peixe fresco e ingredientes da região, a preços acessíveis, sempre com produtos de qualidade e uma execução cuidada. O peixe vem do nosso mar e os legumes compramo-los aqui à dona Sílvia, no mercado”, explica Tomás.
No menu há poke para todos os gostos. Desde o Hula Hula — inspirado na tradicional dança havaiana — que junta camarão salteado com ananás, wakame, cenoura, curgete e amendoim; ao Tuna Addiction, nome dado por Tomás, fã confesso de atum, “principalmente do nosso atum-rabilho, que utilizamos todo o ano e é apanhado mesmo aqui ao lado”. Há ainda uma opção com salmão e uma vegetariana, com tofu. Todos acompanhados por ingredientes frescos e preparados com detalhe.
Quem preferir, pode criar o seu próprio poke partindo da base comum a todas as combinações: o arroz, feito com a mesma receita que Tomás utiliza nas sessões de sushi que apresenta em casas particulares.
Da mais recente viagem que ambos fizeram ao Japão surgiu a nova aposta: onigiri — o tradicional bolinho de arroz em forma triangular, envolvido em alga nori. “Provámos onigiris em vários sítios e percebemos rapidamente que fazia sentido trazer para cá. Em Portugal não se encontram muitos e nós já tínhamos a estrutura e os ingredientes para fazer com qualidade”, conta Miguel.
No regresso, criaram as próprias embalagens e autocolantes, à semelhança dos originais japoneses, para conservarem no frio entre dois a três dias. Para já, há quatro versões disponíveis: camarão, salmão, atum e veggie. Tomás e o chef da casa, Lafayette Silva, fazem questão de trabalhar cada recheio de raiz.
A pasta de atum é preparada com maionese picante e óleo de sésamo. No de camarão, o arroz é cozinhado em água de beterraba, ganhando um tom rosado e um sabor diferente. Já o de salmão, nasce do aproveitamento integral do peixe que vai ao forno e é misturado com maionese. Ao provar, imaginamos que está aqui um óptimo snack de verão para acompanhar uma ida à praia.
Tomás e Miguel até podem encontrar inspiração nas viagens que fazem, mas no Poke Market o mais importante parece ser o mar que os une — o olhar curioso, o orgulho do lugar de onde vêm e, claro, a vontade de partilhar mais um bowl com um amigo.
Poke Market: Avenida 5 de Outubro 67, 8700-306 Olhão. Telefone: 910 889 056. De quarta a segunda, das 12h às 22h.
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