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8 Soletes para provar carapaus

8 Soletes onde o carapau é rei

Alimados ou na grelha: 8 Soletes para provar carapaus

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Atualizada: 21/09/2026

Texto: João da Ponte

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Fotografia: Marisa Cardoso

Não é sardinha, não é robalo. É o irmão do meio, por vezes incompreendido, sempre obrigatório. Nestas cozinhas que se seguem, é tratado como um rei.
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Alguns assustam-se, porque “tem espinhas”. Outros recusam-no, quando descobrem que “não há molho à espanhola”. Mas a conversão a esta religião deveria ser exigência, dado o carácter único deste dandy dos mares.

Elegante, mas armado em punk dos cardumes, o carapau é tratado pela cozinha portuguesa com o luxo que o animal exige. Mais pequeno ou maior, mais temperado ou na simplicidade das brasas, merece ser exaltado e considerado como um dos vencedores de todos os verões. Empenhados nessa campanha, sugerimos 8 Soletes do Guia Repsol, onde os meses mais esperados são também os mais saborosos.

Castro de São Paio: jaquinzinhos para a história

No princípio, importa dizer que um castro é um povoado fortificado, construído nas idades do bronze e do ferro, quase sempre em locais elevados, para garantir proteção através da visibilidade. E a meio, também convém lembrar que Castro de São Paio é, claro está, um castro de que ainda hoje há vestígios, localizado em Labruge, Vila do Conde.

O nome deriva da capela ali instalada muito mais tarde, em honra de São Paio, santo nascido galego e morto nas águas do rio Guadalquivir. No fim, assinalar o que nos trouxe aqui: os jaquinzinhos do Castro de São Paio, aqui já em formato restaurante. Pequeníssimos carapaus, formosos e gulosos na mesma medida, confecionados para serem petisco de conversa sobre ruínas, padroeiros e o que mais houver.

Castro de São Paio: Rua de São Paio 580, 4485-319 Labruge. Telefone: 229 283 502. De terça a domingo, das 10h às 19h30.

O Cantinho do Fernando: o carapau que deu à costa no interior

Isto pode ser surpreendente e é também por isso que importa abordarmos o assunto. Por assunto entenda-se a inclusão de um restaurante em Viseu numa lista dedicada a mesas onde degustar o carapau.

Não negue à partida uma ementa que desconhece: vale a pena ir a Viseu comer carapau grelhado
Não negue à partida uma ementa que desconhece: vale a pena ir a Viseu comer carapau grelhado

Em havendo um inquérito sobre o tema, muito poucos ou nenhuns seriam aqueles a chegar-se à frente com uma localização no interior do país. Pois bem, aqui estamos para lembrar os mais céticos que nisto da gastronomia, o que parece nem sempre é.

Ou, no caso do Cantinho do Fernando, o que parece também é. Aqui vão encontrar feijoada, galo estufado, costeletas, cabidela, moelas ou dobrada. Mas nos pratos do dia também consta peixe fresco para grelhar e quando há carapaus, fica a dica: aproveitem. Depois voltam noutro dia para o resto.

O Cantinho do Fernando: Rua Soito 1, 3500-885 São João de Lourosa. Telefone: 965 454 555. De segunda a sábado, das 12h às 14h30. Quarta e quinta, também das 18h às 22h. Fecha ao domingo.

Boca Beach Club: está de mais este bar de praia

Um dos grandes obstáculos à fruição plena das maravilhas da gastronomia é o preconceito. O mais óbvio é o que diz respeito a ingredientes ou pratos específicos: o chamado “não gostar sem provar”, provavelmente um dos maiores erros da humanidade, que continua a acontecer, sem explicação aparente. O outro tem a ver com cozinhas e mesas.

No Boca Beach Club pode comer carapaus enquanto contempla o mar na Foz do Arelho
No Boca Beach Club pode comer carapaus enquanto contempla o mar na Foz do Arelho

“Não como em sítios que tenham esta ou aquela característica”, sendo que “esta” ou “aquela”, por norma, referem-se a traços mesquinhos na avaliação final de uma qualquer local. Um deles é “não como em bares de praia”.

E até há uma certa empatia, porque todos já deixamos um dia de vida ou um ordenado antes ou depois de termos frequentado um destes locais. Mas arrisquem o Boca Beach Club. E não percam tempo com o menu: em havendo, frescos e danados, peçam os carapaus.

Boca Beach Club: Praia do Rei Cortiço, 2510-453 Óbidos. Telefone: 262 968 470. Todos os dias, das 12h às 23h30.

Clube Naval da Ericeira: a melhor grelha da calçada

Entre as expressões populares que é nossa obrigação acarinhar conta-se a gloriosa “ninguém dá nada por ela”. A terminação pode ser feita com qualquer tipo de pronome, mas neste caso dá-nos jeito a terceira pessoa feminina do singular, porque referimo-nos à “casa” do Clube Naval da Ericeira. A descrição é acertada porque o local é de fraco avistamento à distância, não impacta quando observado e confunde-se com banalidade de um qualquer outro auto-denominado snack-bar.

No Clube Naval da Ericeira opte pelos carapaus grelhados, a raia à Bulhão Pato e a canja do Sr. Santiago
No Clube Naval da Ericeira opte pelos carapaus grelhados, a raia à Bulhão Pato e a canja do Sr. Santiago

Mas se há coisa que aqui não é servida é banalidade. Tudo o que sai do mar é aqui elevado à sua necessária e obrigatória glória. E se nunca será errado escolher a raia à Bulhão Pato ou a canja do Sr. Santiago (é assim mesmo, não se iludam), optem pelos carapaus grelhados sempre que os houver. A alegria que daí advém não cabe neste parágrafo.

Clube Naval da Ericeira: Calçada da Praia 2655-339 Ericeira. Telefone: 910 424 716. De segunda a sábado, das 12h às 25h30. Fecha ao domingo.

O Veleiro: bons ventos nos levem

Há quem esteja sempre disposto a arriscar, do restaurante ao prato que nem sabe pronunciar em voz alta; e há quem não queira sequer imaginar a hipótese de não gostar da refeição.

O Veleiro, meio escondido nas ruas da Costa de Caparica, não está no caminho da praia como alguns habitués nem na tradição da Trafaria, como outros quantos. Mas, palavra de honra, é dos melhores sítios para comer peixe grelhado naquela terra.

O peixe sempre fresco e grelhado no ponto é a especialidade d’O Veleiro
O peixe sempre fresco e grelhado no ponto é a especialidade d’O Veleiro

Quem lá vai há muito, não o quer trocar por nada; quem nunca lá foi, pode duvidar da hipótese. Bonito bonito seria que todos se encontrassem por lá à volta de uma mesa recheada de carapaus apanhados do outro lado da avenida.

O Veleiro: Praceta José Maria Costa 2, 2825-472 Costa de Caparica. Telefone: 212 905 668. De quinta a terça, das 12h às 15h e das 17h30 às 21h30. Fecha à quarta.

O Amândio, onde quem manda é a arte da Julinha

O sudoeste alentejano é das zonas do país que, chegados ao verão, mais desperta a bazófia muito portuguesa do “eu é que sei onde é que é bom”. Tudo o que é visitante habitual da região gosta de dizer em voz alta qual a melhor praia, onde está escondido o melhor tasco, como se descobre o caminho para o mais perfeito areal secreto e qual a melhor altura para ir a cada um dos locais mais interessantes.

Não está errado, faz parte do charme, é resultado do encanto. Isto para dizer que este parágrafo corre o risco de ser alvo de comentários do género “só agora é que eles se lembram disto”? Enfim, vale o que vale. E o que vale de facto é que o “tarde de mais” não existe quando que está em causa é comer bem.

Aqui destacamos carapaus. Ide com toda atitude ao Amândio, também conhecido como “a Julinha”, que é dela a arte. Antes de chegar a Mil Fontes, ali perto do desvio para o Malhão, este canto está meio escondido, mas que não fique na história como um segredo.

O Amândio: Ribeira da Azenha, 7645-639 Vila Nova de Mil Fontes. Telefone: 269 905 277. De quarta a segunda, das 12h15 às 15h, das 19h15 às 21h30. Fecha à terça.

Ú Venâncio: grelhados com as letras todas

Portimão é um dilema. Em cada mão cheia de gente algarvia que por aqui anda, encontramos quase o mesmo número de mestres do lume para a hora da refeição. Acresce que há tanta boa mesa nesta cidade que a escolha é uma dor de cabeça e é sempre boa solução confiar na decisão de um local.

Peixes e mariscos para a grelha — e outros petiscos algarvios — fazem as delícias de muitos n’Ú Venâncio
Peixes e mariscos para a grelha — e outros petiscos algarvios — fazem as delícias de muitos n’Ú Venâncio

Ainda assim, já sentados e de carta na mão ou de olhos na montra do dia, boa sorte na hora de decidir qual o pescado que vai à grelha — e aqui nem estamos a falar das delícias de tacho, de assados ou de carne, que também a há de qualidade.

Feitas as contas, aqui estamos, para garantir que Ú Venâncio não é apenas uma curiosidade morfológica da língua portuguesa; e também é bem mais que uma boa vista sobre o Arade. É uma referência no peixe servido com gosto e os carapaus são dos mais generosos que poderá provar na região.

Ú Venâncio: Zona Ribeirinha Entre-Pontes 4, 8500-523 Portimão. Telefone: 282 423 379. De terça a sábado, das 12h às 16h e das 19h às 22h. Domingo, das 12h às 15h. Fecha à segunda.

No Primo dos Caracóis há carapaus e são alimados

Noutros tempos, a Estrada Nacional 125 era a longa morada da glória gastronómica. Nesta epifania alcatroada para comensais com mais ou menos tempo, havia de tudo para todos — os restaurantes familiares para carros cheios de veraneantes, os tascos de camionistas, as casas que recebiam os espanhóis vindos do lado de lá, à espera de conforto e algumas semelhanças.

Hoje, não é metade do que já foi, porque o trânsito se faz, em boa dose, por outras vias, em que a rapidez é inversamente proporcional ao charme. Contudo, ainda há santuários da tradição calórica. Um deles é O Primo dos Caracóis, conhecido, claro, pela iguaria no nome, mas com outros clássicos algarvios: neste caso, e já que estamos perto de Olhão, falamos de carapaus alimados, que quando são bons, como aqui se servem, em nada ficam a dever a coisa nenhuma. Talvez até superem muitas delas. 

O Primo dos Caracóis: N125 27k, 8700-127 Moncarapacho. Telefone: 289 702 662. De terça a domingo, das 09h às 22h30. Fecha à segunda.