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É de tal maneira natural que, às tantas, perguntamo-nos: mas o que é que apareceu primeiro, o mergulho ou a dose de amêijoas? A praia ao fim da tarde ou aquelas ostras que com um branco gelado? O almoço fora de horas ou o sacana do mexilhão que só faz com que nos percamos ainda mais nos horários.
O marisco prolonga o verão em que cada pedaço que saboreamos. Ao mesmo tempo, parece ter o paladar da saudade quando ainda a estação vai a meio. Enfim, somos simples e só queremos que o que é bom assim continue. Assim sendo, aqui deixamos uma lista de mesas para provar marisco, a partir dos novos Soletes do Guia Repsol. Para que o Verão nunca acabe.
Mar bravo, mar frio, mar do bom para o milagre da mariscada. É aquele mar que vai do Minho à Galiza e continua a subir até que a terra se acabe. Assim se explica que deste recanto em Vila Praia de Âncora saia tanta preciosidade. A Taberna tem o polvo bem trabalhado, Tem pregos e bifanas como é suposto. Tem a sopa do dia, que também segue as regras clássicas — que o diga o Caldo Verde.
E a isto acrescem encantos como a sapateira, os percebes, o mexilhão, os búzios ou o camarão apanhado junto à costa. Resumindo: é um bom local para se ser feliz e a alegria começa assim que olhamos para o menu do dia colocado à porta, certamente para espalhar contentamento junto de quem passa (e talvez entre).
A Taberna: Avenida Dr. Ramos Pereira, 349, 4910-547 Vila Praia de Âncora. De quarta a segunda. Das 10h às 20h. Fecha à terça.
Rodriguinhos são bons e bonitos, mas têm hora e lugar. É substantivo comum, que significa voltas e voltinhas. Deve ser usado quando a coisa em causa é tão boa, ou está tão notável, que quanto mais adiarmos o seu final, mais saímos a ganhar. Mas de resto, é de evitar.
Daí que nomes como este Bar do Fundo sejam de agradecer. Porque é um bar e fica de facto no fundo — neste caso no fundo da Praia Grande. Dada a geografia, caminhar até ao local implica alguma distância. Calha bem que, em chegando ao destino, há muito para comer. Se antes só lá íamos no verão, agora está aberto o ano todo. E entre as várias propostas, é bom de ver que no menu há palavras como sapateira, camarão tigre, carabineiros, ostras, percebes ou mexilhão. Um encanto, no fundo.
Bar do Fundo: Avenida Alfredo Coelho, 2705-329 Colares. Telefone: 219 282 092. Todos os dias, das 12h30 às 22h.
Importa que tudo fique esclarecido desde o início, de modo a evitar desencontros: isto não é um restaurante. Aliás, no que diz respeito à existência física desta entidade, digamos que se trata de uma banca no mercado do Livramento, em Setúbal, onde é possível comprar ostras (digamos que o nome não engana) e degustá-las, mais do que comê-las — é mais ou menos a mesma coisa, mas a intensidade filosófica é maior, muitas vezes exteriorizada fisicamente com um fechar de olhos e um ronronar gastronómico.
Ao mesmo tempo, esta Banca das Ostras assume eventos para os quais possa ser contratada e promove passeios e outro tipo de actividades e relacionamentos com o dito marisco. É tão surpreendente como natural. Um pouco como as ostras com as quais trabalha.
Banca das Ostras: Mercado do Livramento, Avenida Luísa Todi 163, 2900-462 Setúbal. Telefone: 924 433 935. De terça a domingo, das 07h30 às 14h.
É um bar, é na praia, enfim, isto é estar sempre de férias, pelo menos se estiver sentado à mesa. Ainda assim, dado o gosto óbvio de quem aqui trabalha, podemos assumir sem reservas que o labor é feito com prazer. Fica tudo satisfeito, mais ainda quando a carta se presta a ser moldada pelo que há de mais fresco em cada dia.
Não se apoquentem, vão encontrar aqui as propostas mais óbvias face ao contexto envolvente, entre o que se come e o que se bebe. Mas depois haverá ostras quando for dia delas, haverá camarão quando ele estiver bom, a amêijoa sairá à Bulhão Pato ou com carne de porco. Nada como fazer uma pausa no encanto natural de Odeceixe para ver como andam as marés deste Bar da Praia.
Bar da Praia: Rua do Posto, 8670-320 Odeceixe. Telefone: 915 982 561. Todos os dias, das 10h às 22h.
Eles têm graça. É uma graça meio inocente, meio infantil, e talvez por isso vá bem à mesa. Esta é a Santa Maria Petiscaria, mas se a virem escrita com um espaço entre as palavras “petisca” e “ria”, não estranhem. Além de ser um jogo, também é uma boa apresentação para o que sucede à mesa.
O restaurante da marina de Faro propõe servir o que de melhor a Ria Formosa tem para oferecer. Vai daí, até chegarmos ao marisco só nos falta pedir. Certamente que se poderá entreter com outras propostas, mas fique com a certeza de que é a riqueza daquelas águas baixas que lhe vai ficar na memória. São aqueles bivalves e seus familiares que fazem os visitantes regressar.
Santa Maria Petiscaria: Passeio Abu Sao Ibn Harune, 8000-078 Faro. Telefone: 289 821 533. Todos os dias, das 10h30 às 00h.
É um dos locais emblemáticos do barlavento algarvio, daqueles que existem, da forma que existem, porque fazem uso da geografia de maneira a ficar bem nas fotografias e na memória. Para lá chegar é percorrer o aldeamento da Prainha e dar com o restaurante ali entre as rochas que descem para o areal.
O Caniço é uma varanda para a praia, que não é grande, mas entre os muitos que ali querem ir depois de um banho e os outros tantos que ali acorrem mesmo sem vontades balneares, a coisa enche em menos de nada.
Ajuste-se da melhor maneira para ter lugar à mesa e depois deixe-se ir pela tradição gastronómica do local. É provável que se vá demorar mais do que previa e, se assim for, é bom sinal. Isto de ir pedindo mais uma travessa é das melhores coisas que a vida tem.
Caniço: Aldeamento Prainha Club, Rua a Praia dos Três Irmãos, 8500-072 Alvor. Telefone: 282 458 503. Todos os dias, das 09h30 às 02h.
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